quarta-feira, 11 de março de 2020

Destino


Ilustração, por Patrícia Magalhães
Destino




Deitei os medos fora, e agora estou só.
Apaguei os velhos poemas, as rimas sem terminação,
as cartas escritas que cá estavam por enviar.

Não há fins sem começo, e nem canções sem melodia;
e eu, não quero terminar a canção sem começar por ser feliz.

O amor que existia já não é saudade.
As fotos são hoje molduras vazias para que o tempo as encha,
E o meu único poema corre-me no sangue - o mesmo que misturo com a vontade de cantar mais uma vez,
e outra vez, tantas vezes quantas bate o coração.

Bato a rebate no fundo do que sou.
Cada dia mais mulher, cada noite mais certeza.
Não tenho o destino escrito nas estrelas mas não desisto;
é que é meu o caminho que eu piso, e pertencem-me os sonhos que eu moldo,
como o barro de que sou feita,
e como a esperança que me diz que não
é hoje nem depois
o dia certo p'ra desistir.

*


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