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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Neste Mar

 

 

"Sabes em que mar me perdi? No mesmo mar em que se perdem os teus olhos". Disseste-mo e eu acreditei.
Hei de acreditar-te sempre e afundar-me, feliz, depois disso nesse mar de amor em que te vi surgir,

O mesmo mar em que se perdem os teus olhos 

e onde ondas são feitas de todos os desejos que guardo em mim para te dar,
o mesmo mar onde me esperas, com o sal, sonhos e flores que são os beijos que crescem para me dares.

Voltamos juntos, por toda a vida, a esta praia que é feita de recomeços,

sempre que aportamos um no outro para ficar,
do sol se por ao sol nascer, cobertos pela noite que não sendo de mais nada,
faz-se ainda assim do que o amor precisa, a alma espera, e o corpo deseja...

                    *                    

 
    As histórias escritas à beira mar, não são apagadas, mas sim levadas pelas ondas para o fundo do mar, e por toda a vida guardadas no canto mais recôndito  de cada coração.

 

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Ipsis Vérbis


    
Amei-te como me amaste
Quis-te como me quiseste
Entreguei-me como te entregaste
Disse-te tudo como não me disseste...

Morri-te como não me morreste
Perdi-te como não me perdeste
Adorei-te como me adoraste
Soube-te como nunca me soubeste...

Escrevi-te as palavras que leste
Li todas as palavras que me escreveste
Dei-te tudo como me deste
Deste-me tudo e de tudo recebeste...

E "pelas mesmas palavras", escrevi-te estas palavras como tu não me as escreveste.


terça-feira, 2 de junho de 2020

Pingos de Chuva

    

Leva-me, meu amor, embalada nos pingos de chuva,
e diz-me que o sol volta já amanhã,
quando voltares.

E volta, meu amor, que eu guardo o reflexo da lua na minha pele
para que me molhes com a chuva dos teus desejos
que eu sei que ainda guardas em ti.

Sonha-me, meu amor, que te não esqueço,
e se puderes,
leva-me no teu peito, junto ao coração que me juraste,
 em cada madrugada minha que te dei.
 
Depois, devagarinho, ilumina-me.
que as noites em que te sonho, são as noites que desejo que se alonguem no meu corpo,
e que no teu corpo sejam constantes os desejos de nós.

Se, meu amor, os meus beijos se dissolverem nos pingos de chuva, por acaso,
não julgues que te não desejo.
É que se amar- te mais eu pudesse, não me sobraria um pingo de força para ser corpo,
todas as vezes que ao invés do teu corpo, ao meu lado, se deita a solidão.


                    *                   

    

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Diz-me



Diz-me que estás quase,

que chegas não tarda, com uma brisa de vento, e o calor que te mora no peito.

Trazes-me de presente o que mais quero - o teu abraço, e o teu sorriso,

e a tua frase mais importante - estou aqui.

Diz-me que não vais falhar

e que as cartas que chegam a caixa do correio não são desculpas tuas,

porque não podes vir, que algo te prendeu,

que a vida mudou o rumo e por isso mudaste também.


Diz-me que vamos ver o nascer do sol juntos e que isso não demora, e que

Natal sem mim não é Natal,

e a vida sem mim é apenas tão fria como a minha vida é tão fria sem ti.

Diz-me que com a pressa os presentes ficaram por comprar,

e que só tens o teu tempo para me oferecer.

Diz-me que vens e já não demoras.

Que o que importa é o teu abraço no meu a braço     e o melhor presente

é o que partilhamos de coração com coração...

 


*        

 

   

quarta-feira, 11 de março de 2020

Destino


Ilustração, por Patrícia Magalhães
Destino




Deitei os medos fora, e agora estou só.
Apaguei os velhos poemas, as rimas sem terminação,
as cartas escritas que cá estavam por enviar.

Não há fins sem começo, e nem canções sem melodia;
e eu, não quero terminar a canção sem começar por ser feliz.

O amor que existia já não é saudade.
As fotos são hoje molduras vazias para que o tempo as encha,
E o meu único poema corre-me no sangue - o mesmo que misturo com a vontade de cantar mais uma vez,
e outra vez, tantas vezes quantas bate o coração.

Bato a rebate no fundo do que sou.
Cada dia mais mulher, cada noite mais certeza.
Não tenho o destino escrito nas estrelas mas não desisto;
é que é meu o caminho que eu piso, e pertencem-me os sonhos que eu moldo,
como o barro de que sou feita,
e como a esperança que me diz que não
é hoje nem depois
o dia certo p'ra desistir.

*


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Foram Sempre Mais de Mil

Ilustração por Patrícia Magalhães
 Foram Sempre Mais de mil 





Foram mais de mil as coisas que não disse,
que engoli, calei e até fiz por esquecer, embora sem sucesso.
As palavras que guardei, hoje são o alimento dos cadernos imensos,
repletos de sentimentos traduzidos em poemas
que vez por vez me saem num jeito simples de desabafo.
É que havia tanto a dizer, e a pensar, e a compreender.
Tanto, que não bastariam as noites, e os dias,
e o espaço que a vida deixa para sentir ao invés de apenas fazer.

Foram mais de mil os livros nas estantes que ficaram por ler,
e tantos sublinhados por fazer, e tantas passagens por escrever na palma da mão,
como quem tenta escrever na alma para nunca mais esquecer,
ou para ter com o que sonhar, sempre que o coração precisar de aconchego.
Mas tudo passa, e só os livros ficam - são mais de mil,
e entre eles estão os livros das minhas palavras, do meu imenso que ficou por contar – um dia,
quando houver tempo de sentir e acontecer…

Foram mais de mil as noites que ficaram por cumprir,
é que o tempo não se atrasa, acho até que o seu relógio tem uma corda infinda,
e a pontualidade fica sem pudor,
marcada nas mãos pousadas sobre os cadernos cheios de poemas,
e sobre as estantes repletas de livros, para que se saiba, sem esquecer,
 que o tempo também passou por cá.

Foram mais de mil os desejos que se foram perdendo,
espalhando-se pelo chão e pelas paredes desta casa.
Lá de quando em vez,  avista-se um desejo num canto de um móvel,
ou numa página de um livro,
que até lhe dobrei a ponta, para que jamais me caia no esquecimento
toda aquela vontade de cumprir sonhos como quem cumpre os dias...

Foram mais de mil os dias que passei aqui,
escrevi e apaguei palavras, calei a voz do silêncio como pude,
e como pude, teci um manto de motivos que me façam escrever por toda a vida,
sobre as mais de mil coisas que por pudor ou incerteza fui deixando por escrever…

aqui, neste barco de sentimentos e sentidos,
remado apenas pelo coração,
que entre mais de mil corações, é tão somente o meu,.

                    *