terça-feira, 15 de março de 2022

Anoitecer

Anoiteço… 
A vida corre fria lá fora e da janela encaro-a.
Temo-lhe a pressa com que vai, mas acompanho-a com os olhos
e as mãos a formigar de desamparo, porque como quase sempre
eu não sei a que me agarrar.

Peço, num suspiro profundo, que a vida pare.
Não consigo acompanhar a sua pressa mas nadalamento,
porque ainda existem milhões de estrelas para contar…
e eu que gosto tanto de vê-las, não sei como o deixar de fazer.

Anoiteço…
e faz frio lá fora.
A vida ainda corre e eu ainda estou à janela.
O poema nasce das minhas mãos inquietas e desta alma que teima em viver sonhos
enquanto a vida corre, o mundo aanoitece
e eu anoiteço, também…

Dou, por rebeldia, asas ao poema,
porque as mãos não se acostumam à quietude
e eu sei que as noites são dos poetas,
os poemas das estrelas e eu
sou livre para sonhar, mesmo que a vida corra,
A noite acabe e este poema tenha fim…

Até chegar o amanhecer.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Detalhes



Podia começar por um: Olá, como estás? Continuar dizendo-te que estou bem e que a vida vai como tem de ir; 

mas isso seriam pormenores, detalhes tão irrelevantes que só serviriam para nos pôr a pensar no que já não volta.

Serviria também para adiar o que já não tem adiamento possível,

talvez porque eu própria já não queira, ou porque o morador do meu peito, imperador do meu destino,

já não quer…


Sabes? No fundo só te escrevo por uma questão de detalhes,

porque os meus livros estão fartos dos meus olhos e dedos sedentos de respostas,

Os meus poemas estão cansados de outros tempos

e as minhas plantas estão com cara de poucos amigos e os amigos insistem em perguntar por ti.

Escrevo-te porque quem cá vem de visita diz que há demasiado de ti nesta casa e eu, com cara de desentendimento fingido, continuo a dizer que não noto nada.

Mas noto, claro que noto, mesmo que sejam só detalhes mínimos.

Então peço-te que assim que possas passes cá por casa e leves os sinais que cá deixaste,

os restos que te esqueceste e que, desculpa que te diga,

por serem só restos,

 também não os quero.

Vem e leva os quadros nas paredes onde pintaste a tua história;

os trofeus que um dia me imprecionaram, confesso,

e a única fotografia em que deste espaço para mim,no teu espaço.

Leva também o cinzeiro com as pontas dos teus cigarros e com os estilhaços das tuas expectativas,

o copo onde deixavas palavras em troca de conforto e as folhas com rascunhos de poemas que nunca foram para nós,

talvez porque, a bem da verdade, nunca tenhamos sido nós.


Passa cá e não tenhas medo.

Já faz muito tempo desde que sequei a última lágrima vertida em teu nome,

já faz muito tempo que arrumei a cabeça e o coração e ensinei-me a ser eu a dona dos meus paços.

Por isso, vem e não tenhas medo.

Só te peço agora que sejas tão livre como eu, e que o pó do passado fique onde lhe pertense e com o que te pertence, construas para ti o teu caminho.


Como te disse o que me leva a escrever-te são só detalhes, mas são os detalhes os tijolos de uma história e eu preciso do espaço dos teus detalhes para recomeçar por mim.

É aquilo a que uns chamam de amor próprio, mas eu chamo de recomeço.

Sei que quando chegares e levares o que é teu, fechamos a porta ao passado, damos um aperto de mãos na despedida e num sorriso apagado perguntamo-nos sem falar: como foi que isto aconteceu?

Mas as palavras ficam no silêncio dos olhos, porque tudo o que se passou foram detalhes, e pouco importa agora o que ficou por acontecer. 


Termino o que me levou a escrever-te dizendo-te que a vida é feita de Amor e

o Amor é feito de detalhes — que a nossa história seja apenas um detalhe, numa vida inteira plena de Amor…


quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Sussurro



Sopra o vento nas árvores impunes.

Como uma carícia deixada pela vida,

como um sopro baixinho ao ouvido que me diz:


não há nó na garganta que sufoque,

nem abraço de quem se ama que se desenlace,


quando o que se sente dentro do peito é verdadeiro…




quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Aprendiz



Ensinaste-me e eu aprendi.

Ouvi todas as tuas palavras e segurei-as como pude e soube.

Confesso que tive medo que se te perdece as perdesse também,

mas nelas dizias que se as agarrasse,  nada mais existiria que temer.



 

E eu aprendi…

 Contigo, aprendi:que depois do depois a estrada não finda antes da hora certa,

que depois das palavras o silêncio partilha connosco do mesmo copo o travo do que se disse e do que, porventura,  ficou por dizer.

Aprendi que o tempo é percorrivel, intocável, fazível e eu fiz tempo, com o tempo, no tempo que me ensinaste que eu tinha.

Eu aprendi e já não esqueço, que os medos são transformáveis e os beijos apetecíveis,

e os sonhos, concretisáveis, se quisermos, se sonharmos, sem temor;

não podemos baixar os braços, os lábios, pôr trancas à vida que a vida não precisa ter.

Aprendi que mesmo que a pulso todo o caminho é fazível, o erro, corrigível e o amor transformável.

Aprendi que a sulidão descobre-nos enfrenta-nos e inflama os fogos que existem cá dentro, que queimam mas não vemos e ainda assim,  tapamos com motivos que desculpam as nossas ações.


Aprendi a ter mais coragem do que loucura, mais desapego que necessidade

 e que mão na mão não é confirmação de um para sempre

e que se me sobrarem caminhos o meu dever é percorrê-los;

e mesmo que me custe, perdoar quem tiver outros caminhos a percorrer, sem rancor, sem remorsos,,

porque os caminhos que seguimos são cruzáveis mas não são igualáveis.


Aprendi tanto e não sabia que haveria tanto por aprender contigo…

aprendi que viver é um caderno em branco que vamos escrevendo;

que lutar, perder ou ganhar, são livros de ensinamentos;

que querer bem a alguém é deixá-lo desbravar fronteiras e infrentar batalhas;

e ao fim de cada dia estar de coração ao lado do coração de quem bem se quer.


Aprendi que tanto mais há para aprender, sobre a vida, o mundo e o ser…

e que quando o teu abraço me deixar, eu ainda serei a mesma,

porque distância não é abandono e desencontro não é esquecimento.


Aprendi que serei sempre aprendiz por toda a vida e que a cada poema que escreva, ficam tantos mais poemas por escrever.



Que por toda a vida seja Aprendiz.


Que por toda a vida haja tanto para ensinar…







terça-feira, 6 de julho de 2021

Confinei-me



Confinei-me em mim e disse adeus ao que já não quero.
 Aprendi a escolher para mim o que realmente importa e preciso.

 Deixei os risos e sorrisos forçados, as palavras ditas sem convicção,
 os acenos sem motivos e os motivos que nunca soube, no fundo, entender.

 Deixei as certezas que não eram minhas na verdade
 e os paços dados por mim sem que os quisesse dar,
 os atos tidos e formalizados sem que os desejasse, nem por um minuto, cometer.

Confinei-me,
 Reli-me e entendi-me. Ouvi-me e percebi...
 já não me cabia o espaço dos outros,
 os risos dos outros, os quereres e pensamentos que não fossem os meus.
 Sentia-me intoxicada de outros, e já não me percebia, não me encarava, e com tudo isso, não escrevia,
não sentia e não transpirava aquilo que sou, quer queira quer não,
 apesar de tudo e até do que pelos outros, julguei, erradamente,  já não ser.

 
Confinei-me e encontrei-me...
 nesta ilha onde sei ser e sou, verdadeiramente, eu.
 Perto o suficiente,, longe o quanto baste, presente sempre que preciso, ausente porque tem de ser,
 constante na inconstância de poder sentir e ser, fazer por ser e estar, como for, onde for,
 porém, sempre fiel a mim mesma.

 Confinada do que não quero,
 livre no que sempre quis ser. 


domingo, 14 de março de 2021

Festival Maré de Fado - 8 Noites a não perder

Começou na Sexta feira, dia 12 de Março o festival Maré de fado, uma iniciativa organizada pelo Município de Sines. Este festival acontece no município de Sines desde 2017, levando ao público variados fadistas, e promovendo variados pontos importantes da cidade. Este festival tem como objetivo recuperar o legado das noites de fado, onde amadores e artistas juntavam-se para cantar, apenas pelo prazer de o fazer. 

Este ano, face a pandemia que atravessamos o festival acontece em moldes diferentes, mas acontece e é levado a té si de forma gratuita, através das plataformas Facebook, na página do município: Município de Sines Página de Facebooke no canal do Município de Sines, no youtube: Canal do Município de Sines no Youtube 

Esta mostra de fado também pode ser ouvida na rádio: Rádio Amália (92.0FM ou 100.6FM) e da Rádio Sines (95.9FM). Entre os dias 12 de Março e 3 de abril, pelas 21.30 as Sextas e Sábados, convido-vos a navegar nesta maré de fado, muito ampla e surpreendente.

 Para saber mais e conhecer todos os artistas em cartaz, clique aqui.


Eu fui um dos nomes da primeira noite, a par  dos fadistas André Batista, Daniela Giblott e Armando Casal; todos muito bem acompanhados nas cordas por: Bruno Mira na Guitarra portuguesa, Carlos Soares da Silva na viola, e Gonçalo Cercas no baixo. Posso dizer que me sinto lisonjeada e muito feliz por ter sido e ser marinheira integrante nesta tripulação. Antes de passar ao Vídio, quero agradecer ao Diretor artístico, ,     meu amigo e músico, Carlos Soares da Silva, a oportunidade e convite, ao município de Sines o convite e a disponibilidade, e a todas  as pessoas que me acompanharam e acompanham, bem como a todas as pessoas que como eu acompanharão este Festival Maré de Fado até ao fim!

Naveguemos então: Histórias do Mar | Noite I | Maré de Fado 2021 | Sines - Gravado na Igreja da Nossa Senhora das Salas. 

    


Fiquem agora Com a segunda noite,  ontem dia 13 de Março, que contou com os fadistas: Ricardo Martins, Sofia Ramos e com a fadista Silvana Peres com o projeto Fado no Pé.

O Pescador e a Fé 


 



Seguidores deste blogue, este post estará em atualização até ao fim do evento, com os vídeos e diretos.