quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Seis Anos de Blogue, e Muitas Novidades!

Olá, estimados/as amigos/as e leitores/as aqui deste meu e vosso cantinho. Há muito que este blogue anda demasiado parado, demasiado sem vida. Já completou, no passado dia 11 de Julho deste mesmo ano, 6 anos de existência. Seis anos de muito orgulho para mim enquanto autora e criadora deste projeto. Querendo contrariar esta falta de atividade, em parte por falta de criatividade e inspiração, bem como por outros motivos que têm mudado a minha vida, venho hoje falar-vos das mudanças que estão preparadinhas para começarem a surgir por aqui!
A primeira mudança já a puderam constatar. O domínio! Pois é, mudei o domínio, afinal a marca deste blogue está registada e já estava mais do que na hora de termos uma morada exclusiva.
Outra das mudanças é o logotipo pomposo e original, criação de um amigo com quem tive e tenho o prazer de trabalhar, Ricardo Barros da MIIPP Marketing e Publicidade, que foi ao cerne da questão e esforçou-se e muito bem para criar uma imagem só deste blogue! Ah! E como não me posso esquecer de referir, o Ricardo também fez englobando todo o meu trabalho, os cartões de visita deste cantinho tão nosso!
Não pensem que a lista acabou por aqui. Nem pensar nisso! Vou falar-vos agora da Patrícia, que convido-vos a conhecer no post de amanhã. Adianto-vos já que ela vem trazer cor e uma perspetiva muito especial aos escritos que vou colocar aqui. A patrícia é minha amiga e é a ilustradora deste blogue, e posso dizer-vos que melhor ilustradora não podia haver!
Agora sim, para terminar, Deixo-vos já o alerta de que se virem por acaso que o lai out mudou alguma coisa, é porque o autor do http://avidaempixeis.blogspot.pt/ - meu irmão Leonel, fez algumas melhorias!
As novidades acabam por aqui, mas fiquem por perto, que não tarda e tudo acontece!

*

E não se esqueçam que:
Não tem de ser lindo. Só tem de ser de coração - é isso que distingue o sonho de tudo o resto.
Vida é o tempo de que dispomos para semear sonhos e colher concretizações.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

As Palavras que o Vento Não Te Leva


Em especial aos meus irmãos: Jorge, Ana, Rossana, Leonel e Artur
Fiquem certos que estas palavras o vento não vos leva!
*

Ligados – somados nas nossas vidas com aquela corrente que não se quebra.
Sem serem preciso juras, sem serem preciso avisos de chegada ou partida.
E, durante toda a vida de mãos dadas, sem que sejam preciso darem-se.
E eu, hei de esperar-te sempre com o mesmo abraço,
e no mesmo cais de embarque de onde te vi partir.
Quando chegares, não batas à porta,
nem avises que vais entrar, que as formalidades ficam noutro mundo que não é o nosso…

Gostava de dar-te sonhos, mas acabo por trocá-los por beijos, abraços,
palavras do que precisas, ou do que precisamos – tanto faz.
E tu, dás-me o que quero: tu, nunca pela metade,
nunca menos que tu…
E é isso que torna este amor, diferente de outro qualquer amor…

Largos são os dias em que não te encontro e, a saudade
traz o teu nome como tatuagens desse amor que se planta na alma e na pele.
E longas são as noites em que nos separamos porque assim tem de ser...

Acabam-se as palavras quando falamos. E os segredos, guardamo-los dos outros,
não de nós.
Podia dizer-te que te amo, mas isso era ser lamechas, e por qualquer coisa do destino,
preferi escrever-te estas linhas.

Só para dizer que o meu cais é o mesmo de onde te vejo partir,
e deixo no mesmo lugar, para que possas sempre voltar.

Como volto ao teu abraço,
só para dizer: Estou aqui…


*

terça-feira, 16 de maio de 2017

Falei hoje de ti ao meu peito

 

Falei hoje de ti ao meu peito, meu bem.

Perguntei se ainda te recordava, se ainda te sentia a falta.

Mas nada me respondeu.

 

Lembrei-o das canções que cantavas, das flores que trazias, do cheiro da tua presença,

e até da tua ausência, quando partias, sem mim.

Dizias-me que quando a saudade me inundasse, inundava-te também,

Porque éramos um, com um só coração…

 

Falei ao meu peito dos teus livros cheios de histórias que líamos juntos,

e da calma que me oferecias quando me abraçavas,

dos teus dedos que entrelaçavam os meus, naquele gesto protetor que era tão teu...

Falei-lhe do cheiro do café pela manhã, que oferecíamos com um sorriso,

O desejo de boa sorte, quando havia medo de falhar,

O silêncio que dizia tudo, quando palavras não se adequavam ao nosso sentir…

 

Mas o meu peito remeteu-se ao silêncio.

E eu continuei - falei dos dias passados junto ao mar,

das tuas mãos que brincavam no meu cabelo – inesquecíveis, como tu,

da clareza dos teus olhos quando me observavam,

da franqueza das tuas palavras quando me pedias que voasse rumo aos meus sonhos.

E eu voava, porque tu eras o colo seguro que tinha para pousar, com um punhado de sonhos que guardavas para mim…

 

Falei de ti, como se te pudesse ver nem que fosse por um segundo, como se pudesse abraçar o teu abraço a qualquer momento,

numa prece muda de que não mais me deixasses assim, sem o teu peito, único,

para que o meu peito se encostasse.

 

E depois, as palavras não me chegaram, para falar de ti, para falar de nós…

 

Calei-me numa sisudez igual ao silêncio desta casa,

Na esperança de poder adormecer, para poder sonhar com o mesmo punhado de sonhos que guardavas para mim.

 

E, foi quando ouvi o meu peito sussurrar o teu nome,

E senti que doía-lhe a tua ausência, como me doem as palavras que ficaram numa história de amor

Que nem esta solidão, nem nada no mundo pode ou consegue apagar.

 

Falei de ti ao meu peito, e, chorámos…

Não por ti, nosso bem, mas pela falta que nos fazes…

 

Talvez porque seja sempre cedo para não tardar o momento de deixar

quem se ama, partir.

 

*

 

Ilustração musical: Carlos Silva

 

 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Pela Magia de Acreditar - 7ª e Última Parte



Já sem tocar com os pés no chão, uma vez que sabiam e podiam flutuar, Kiroan e Haran chegaram-se perto da porta. Kiroan era o único a poder entrar. Haran estava por ora no seu limite de ação. Agora só o jovem ninja podia entrar e vencer aquele monstro. Kiroan levava consigo apenas um espelho para refletir os olhos da serpente, e um objetivo no seu coração, tão invisível como ele mesmo, naquele momento.

Eu acredito, foi tudo o que pronunciou para si mesmo, antes de flutuar para dentro da enorme sala onde a serpente incandescente parecia dormitar enrolada a uma enorme pedra branca e salpicada de pequeninos cristais muito brilhantes, na qual o sabre estava pousado.
Na parede a sua frente, Kiroan via escrito com runas, uma frase que leria em voz alta para a serpente ouvir. Nessa frase havia uma palavra escrita completamente ao contrário, com runas que pareciam feitas em outros formatos. Não se podia chegar perto da serpente uma vez que esta queimava todos os que dela se aproximavam e o seu fogo, bem como o seu veneno contido num espigão que existia na cauda, eram mortais.
- Eu sei a frase, serpente.
O enorme monstro incandescente como fogo ergueu a cabeça, mas não o olhou. Não conseguia ver nem sentir de onde vinha a sua voz. Que era um ninja que a viera defrontar, isso ela sabia, mas este ninja não era como os outros ninjas. Este, ela não podia ver, ela não podia tentar matar com os seus olhos âmbar, porque não lhe sentia a presença. Tão somente ouvia a voz que lhe falara.
Sem se desenrolar da pedra que guardava, onde o sabre estava pousado, a enorme serpente movimentava a cabeça de um lado para o outro, numa busca frenética para descobrir de onde viera aquela voz.
- Nessa frase, monstro, a palavra que falta é: Solidão. A frase, monstro, é: Entregues unicamente ao fogo, não descobrimos o amor, mas descobrimos a solidão.
Tão logo terminou de dizer a frase, Kiroan, lançou-se num flutuar frenético, uma vez que a serpente enraivecera-se com o facto de ouvir daquela voz tão desconhecida, a verdade da sua essência enquanto monstro.
Porém o monstro tinha de a ouvir, antes de morrer, para que outros monstros como aquele não renascessem das cinzas, pois fora das cinzas que a serpente incandescente viera.
Kiroan flutuava, e ao tentar fazê-lo cada vez com mais velocidade, tanto para fugir do corpo cada vez mais próximo da serpente, como para conseguir assim colocar diante os olhos âmbar, o espelho que trouxera, era assaltado pelo medo de que as forças se lhe acabassem. A serpente ficaria desfeita em cinzas quando os seus olhos se refletissem no espelho, e naquele momento era preciso dar tudo por tudo, para conseguir fazê-lo. Cada vez mais fraco e mais cansado, e com o calor do corpo do monstro a incomodar devido a proximidade que era cada vez maior, o medo teimava em querer surgir. Mas não. Kiroan, o jovem David não sentiria medo, não seria vencido pelo medo.  Os seus pais esperavam-no e os seus avós também. Havia um mundo de ninjas para voltar a unir, e dois mundos para deixarem de estarem tão distantes, uma vez que juntos seriam bem melhores, bem mais fortes.
Foi ao lembrar as palavras da sua mãe: (Não tenhas medo. A força que há em ti, é sempre maior que a que podes entender. Volta tão logo possas. Esperamos-te, com o mesmo amor de sempre.) que da sua garganta já tão seca pelo calor que sentia, arrancou o grito que lhe devolvia a confiança: Eu acredito!
Enquanto gritava, o mais confiante possível nas forças que lhe restavam, Kiroan, colocou o espelho diante os olhos do monstro e entre manobras tidas por instinto, e um cansaço que já lhe fazia sentir dor, viu fecharem-se os olhos da serpente. Não podia desistir, ainda não. Estava quase. Porém o seu corpo estava cada vez mais fraco, e flutuar era-lhe cada vez mais difícil. A qualquer momento cairia. Mas o corpo daquele monstro estava tão perto…
Quando os olhos da serpente ficaram totalmente fechados, Kiroan soube que estava perto do final. E ao ver o corpo da serpente espalhar-se inerte pelo chão e começar a perder a sua incandescência, Kiroan tivera a certeza que só lhe faltava segurar o sabre, para depois partir.
Quase sem forças e a rasar o corpo da serpente, o ninja aproximou-se da pedra, que estava mais quente do que ele esperava e segurou o sabre. Era um sabre tão leve, tão bonito, tão brilhante. E encaixava-se tão bem na sua mão. Podia ter apreciado mais o momento, mas as suas forças teimavam em terminar.
Não aguentando mais, deixara o sabre cair sobre a pedra, e o seu corpo resvalava logo depois para o chão. A ultima cena que percebera acontecer, era um uivar tão doído e tão aflito, seguido de um bater de asas tão próximo e tão urgente que vinha na sua direção. Não se apercebera de mais nada.
Perdera os sentidos. E quando os recuperou, Kiroan, encontrava-se deitado numa cama enorme e muito macia. Ao seu lado, no chão, junto a cabeceira da cama, estava Lyra. Deitada a olhá-lo atenta e meigamente. Quando os olhos dele cruzaram os dela, Lyra levantou-se satisfeita e ladrou. Pouco tempo passou até o seu velho avô entrar no quarto, seguido dos pais de David e logo a trás Haran. Estavam todos ali, como sempre. Não estaria só.
- O que foi que aconteceu? Só me lembro de…
O avô fez sinal a Haran, para que fosse ele, como já o havia feito tão logo tudo terminara, a contar ao jovem como tudo aconteceu, depois de ele ter caído devido ao imenso calor e a consequente falta de força por causa do esforço.
- David, corajoso ninja Kiroan, tu venceste aquele que foi um dos piores monstros da história dos ninjas. A serpente foi totalmente extinta. Ia-te custando a vida, bem sabemos. Mas nunca, e em momento algum deixámos-te só. Estivemos sempre lá, contigo. Salvaste e devolveste o sabre. E como dormiste por 3 dias seguidos, para recuperares, devo informar-te que Karamin está em paz. Os outros ninjas, ouviram o teu avô, nosso Koroan e, reconheceram ter perdido nesta batalha todos os motivos parvos que os faziam continuar virados contra nós. Não somos amigos, mas, já não somos inimigos, também. Sabes que para vivermos em paz entre os mundos, é preciso cultivar a paz entre os povos, primeiramente. O sabre devolveu a luz às mentes de todos, e era isso que se pretendia. E eu sei que ainda te confunde um pouco o facto de seres tu o ninja escolhido, meu filho, Mas, o teu coração puro, quando segurou o sabre, devolveu-lhe a capacidade de irradiar a luz e a magia que outro coração não poderia devolver.
Cumpriu-se a profecia. És um ninja, Jovem David.
Com um sorriso que demonstrava a alegria de uma missão tão importante ter sido cumprida, David agradeceu e abraçou cada um dos presentes. E recebeu pelas palavras de Haran e do seu avô, os votos de uma rápida recuperação, enviados pelos outros ninjas.
- Mas Haran, de onde veio a fénix que vi antes de perder os sentidos?
- Olha para o teu lado. O teu coração tem a resposta a tua pergunta. Foi tudo o que ele lhe disse, e David não precisou de mais nem uma palavra para entender o que Haran lhe dissera.
Esticou o braço e Lyra aproximou-se, colocando a cabeça sob a mão do rapaz. É só preciso confiar, Lyra. E eu, tu sabes, confio em ti.
Lyra não falaria com ele, mas David sabia que ela também confiava nele. Há coisas que não são necessárias dizer. Basta sentir.
Porque o coração é uma espece de diário da alma, reservado unicamente para os que sonham e acreditam.


*** Fim. ***

Pela Magia de Acreditar - 6ª Parte




Depois de tomar um farto pequeno almoço, David e os outros ninjas puseram-se a caminho. A viajem seria longa, e teriam de a fazer com muito cuidado. Principalmente quando entrassem no território dos outros ninjas, situação que se verificou tão logo passaram a montanha de Darin, local onde, segundo a lenda, todos os ninjas encontravam as respostas para as suas dúvidas relativas ao caminho a seguir, e onde faziam as suas escolhas.
Quando já se encontravam no território de outros ninjas, Haran e os outros ninjas que os acompanharam assumiram a sua invisibilidade, uma capacidade totalmente ninja. David olhou para onde esperava ver Haran, porque deixara de ver a sombra lado a lado com a sua.
- Haran?
- Estou aqui, rapaz. Não te esqueças que tens de ficar invisível.
- Não sei se consigo. Não me esqueci, mas não sei se consigo.
- Consegues, Kiroan. Eu sei que consegues. O segredo é só acreditar. E tu acreditas, não acreditas?
O jovem olhou em volta, na espectativa de ainda ver algum dos seus companheiros, mas não vislumbrou nenhum. Podia sentir-lhes a presença, e dessa forma saber onde estava cada um deles, mas não via ninguém. Assim, e sentindo uma força como nunca sentira, encarou a presença de Haran e com uma voz profunda disse: - Eu, acredito!
E o lugar onde estivera Kiroan, era agora apenas paisagem verdejante. Tornara-se tão invisível como os outros.
O que diferenciava o jovem ninja dos outros, era que ele, era o único que conseguia não ser detetado pelos olhos perscrutadores da serpente incandescente. Aqueles olhos que ela tinha, de um âmbar estranhamente maléfico conseguiam, contrariamente aos olhos dos humanos, ver onde é que os ninjas invisíveis estavam. Mas Kiroan, não. Ele era por isso o único a poder passar por ela, mostrar-lhe o espelho que a apagaria, e, porque ela ficaria sem quaisquer forças, ele poderia retirar o sabre do seu avô.
Quando chegaram a Talan, o templo da serpente e dos ninjas que haviam roubado  o sabre, estes não os podiam ver. Kiroan, haran e os demais, continuavam invisíveis, o que fazia com que os outros, embora os pudessem sentir, não os pudessem ver, dificultando muito mais a batalha que ali aconteceria.
Cada ninja sabia o que fazer. Haran e Kiroan procurariam e encontrariam o caminho para os confins daquele templo, lá onde a serpente guardava noite e dia o sabre de luz. E enquanto isso, os outros ninjas, ficariam à superfície a entreter numa batalha quase toda feita de toca e foge, os ninjas causadores de toda aquela desunião.
Tal como previram, Kiroan, acompanhado por Haran, passaram sem problema pelos ninjas do templo de Talan. Eram demasiadas presenças de ninjas invisíveis que haviam chegado quase em catadupa, os ninjas nem se deram conta que dois dos recém-chegados haviam ido mais longe que o pretendido.
Entretidos que estavam naquela batalha, nem se deram conta de nada, e assim deram tempo aos outros dois, para entrarem pelo alçapão e descerem as íngremes escadas que os conduziriam a sala da serpente. Um cheiro a terra molhada, umidade e mais qualquer coisa que não lhes era possível detetar subia-lhes ao nariz. Era um cheiro propício  a ser ignorado, pensaram enquanto seguiam caminho.
A certeza que seguiam pelo caminho que os levaria ao que pretendiam encontrar, tiveram-na quando, ao terminar as escadas, os seus pés tocaram o chão plano, e, ao fundo do corredor, uma luz forte e que mais parecia jorrar de um local que ainda  não conseguiam ver, devido à porta da sala estar entreaberta, espalhava-se por todo o lado, indicando que estavam muito  perto do alvo.

(…)


Pela Magia de Acreditar - 5ª Parte




De tão perdido que estava nos seus pensamentos, nem dera por Haran chegar.
- Hehehe, rapaz. A dormir acordado? David que não esperara vindo de haran um cumprimento tão descontraído, primeiramente olhou-o um tanto incrédulo, e só depois sorriu para o homem postado à sua frente.
- Haran! Oh, não dormia, apenas pensava nos que deixei lá, no mundo dos humanos comuns.
- Eu sei, rapaz. Mas verás que tudo acontecerá muito rapidamente, e não tarda, voltas a casa.
- Sim… Eu sei. O avô disse-me o mesmo.
- Então anda. Vamos até Naiara. Em breve começa a tua missão.
David seguira ao lado de Haran até ao templo. Quando la chegou esperava-o uma refeição quente e deliciosa que lhe haviam preparado, e uns aposentos simples, mas muito acolhedores. Depois de arrumar os poucos pertences que trouxera consigo, trocou a roupa por um pijama que lhe haviam deixado sobre a cama, apagou a luz e rapidamente adormeceu. Fora num entanto uma noite repleta de sonhos. Imagens sucessivas formavam um filme na sua mente. Coisas que o fizeram acordar e adormecer por diversas vezes. Imagens que não esqueceria, provavelmente. E sons tão familiares como o ladrar e uivar de Lyra, seguido de um bater de asas como nunca ouvira e o planar de um belo pássaro como só se lembrara de ver em livros fabulosos que lera. Era um belo pássaro enorme, com um olhar tão penetrante e tão reservado e meigo, aleado a uma sabedoria e maturidade como nunca pensara que pudesse vir a compreender em algo ou alguém, e muito menos numa criatura assim, tão incrível e tão estranha. Pousara ao seu lado, no meio de uma clareira, numa floresta que lhe era totalmente desconhecida. Imagens que não esqueceria. Imagens que ao acordar lembraria e talvez pudesse partilhar com alguém – com o avô, ou Haran.

Na manhã seguinte, como lhe haviam dito durante o jantar, começaria a jornada. Teria de viajar até ao outro lado da ilha, onde existia Talan -  um templo menor, muito menos cuidado e longe de ser tão bonito como este templo ao qual pertencia. Era lá que estava, segundo o que lhe haviam dito, uns tantos pisos a baixo do chão, a serpente que guardava afincadamente o sabre do seu avô.
Haran, que fora, desde que David chegara a Karamin quem o acompanhara, viera então por volta das 7 da manhã, como haviam marcado, ao seu encontro. Ficou espantado ao ver o jovem ninja acordado, sentado na cama com um olhar desperto. Haran, ao vê-lo assim mostrara logo o seu bom humor que David nunca vira das vezes que estivera com ele. Porém contrariamente ao que muitos humanos comuns julgavam, ninjas também tinham sentido de humor.
- Bom dia, rapaz! Pronto para te pores a andar? Hummm, com essa cara, não me pareces pronto para nada! Engoliste algum sapo? Ou dormiste de rabo destapado?
- Bom dia, Haran. Não é isso.
- Não é isso? Então é o quê? Salta dessa cama e veste-te, enquanto me contas o que se passa contigo. Só espero que não estejas com medo.
Enquanto falava com o jovem ninja, haran abria uma porta de um armário embutido na parede, onde estava guardado aquele que seria o uniforme de David.
- Vamos la, jovem Kiroan, toca de vestir o uniforme, que o mundo la fora, espera por ti.
Enquanto se vestia, David contava a Haran o seu sonho.
- Não sei que te dizer, rapaz, se o teu sonho tem significado, quando chegar a hora certa, tu vais saber… O pássaro a ser como me descreves, sim, é uma fénix, sem a menor dúvida, tal como a fénix que está entre os nossos símbolos. Mas, não sei de onde virá essa fénix, nem sei se existe, ao certo. Nós ninjas, acreditamos nela. Porém, e segundo a lenda, a fénix surge aos ninjas, quando estes correm perigo de se ferirem gravemente, morrerem, ou quando o seu coração está em grande sofrimento…
Quando ficou pronto, David nem parecia o mesmo. Vestido quase todo de preto, com apenas os punhos e as golas tanto da camisola, como da capa, de um verde ceco, onde se podiam ver, bordadas com finos fios de oro, três trevos de três folhas cada, e no lado esquerdo das golas da camisola e da capa, com o mesmo fio de oro, o seu nome bordado: Kiroan.
O cinto continha apenas uma pequena medalha onde se podiam ver as figuras que constavam na capa do livro do avô de David: uma bússola, uma espada e uma fénix.
- Haran?
- Sim, rapaz?
- Estou pronto?
- Sim, estás.
- Mas, Haran, e o meu sabre? A minha espada? A armadura que era suposto ter?
Harã, nada desprevenido com relação às perguntas do jovem ninja, sorriu-lhe atenciosamente e colocando-lhe a mão sobre o ombro, para lhe dar um leve empurrão na direção da porta, disse:
- Confia na tua capa. Não a julgues tão superficial. Acredita em ti. A maior arma que podes ter és tu e a tua força interior, filho.
David não sabia se podia confiar, mas tinha de o fazer. Ninjas sabiam sempre o que fazer. Ninjas eram seres dotados para fazer o bem, vencer batalhas e guerras, promovendo a paz, salvando-se a si e aos outros. Ninjas agiam com o coração mas sempre com a razão nos seus atos, e eram criaturas dotadas de perseverança, coragem, e uma capacidade de manter a cabeça fria, sempre a favor daquilo que acreditavam e ou defendiam. Ninjas que assim não o fossem, seriam ninjas, como os que mantinham o sabre de luz guardado, e promoviam a desunião dos ninjas, e dos humanos relativamente aos ninjas.

(…)

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