quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Fogo

Uma dedicatória, por Patrícia Magalhães e Joana Rita, a todos os que sofrem, e a todos os que lutam por, e contra esta devastação...


Ilustração © by Patrícia Magalhães
Fogo



Clique aqui para ler descrição da Ilustração


 Arde-me este fogo cá dentro.
Entra-me pelos olhos, pelos ouvidos, posso senti-lo na pele,
na alma, queimando e dilacerando tudo em mim
e nos que o combatem, nos que o enfrentam, como eu não faço,
porque não presto, porque não sirvo.

Mas... arde-me este fogo cá dentro, e enlouquece-me, enerva-me,
magoa-me, e faz-me chorar pelos que o combatem, sentem e pelos que o odeiam
por todos os motivos, ainda mais que eu.

Arde-me este fogo cá dentro, e por fora,
deixando negros os meus sonhos de um lugar melhor, de um mundo melhor,
de um fim de interesses que, sei e pressinto, que  não acaba mais… nunca mais.

Arde-me este fogo cá dentro, e sufoca-me.
Não tenho voz que chegue e sirva para gritar que é preciso pará-lo,
que a terra e o céu estão negros com o fumo que abunda,
e com a tristeza e o medo de quem chora
por tudo o que perdeu…

Arde-me este fogo cá dentro, e entristece-me.
Porque quando não houver mais nada somos só pó e cinza,
como o pó de uma terra queimada, como a cinza do que já existiu mas o fogo levou, o vento soprou
e o manto negro cobriu…

Arde-me este fogo cá dentro, e queima-me também as esperanças.
Sobra-me apenas a saudade do que era verde e agora é só lembrança,
e a certeza de que ficou nas mãos de quem luta corajosamente,
a sorte de quem espera encontrar depois do fogo,
o que sobrou de toda uma vida.

Um começo do recomeço, depois de tanta perda,
depois de tamanho sufoco,
que nem uma chuva de esperança será capaz de apagar…


                    *                  

domingo, 29 de julho de 2018

O Tempo do Nosso Tempo



O tempo - que se nos esgota,
que se nos corre por entre os dedos, e por nada se aloja nas palmas das mãos, no colo, no enlaçar dos braços...

O tempo - que nunca nos sobra,
que tantas vezes nos falta, que nos leva a perguntar: quando foi?

O tempo - que nos escreve nas linhas de expressão a nossa história,
e que ao espelho nos mostra o valor do que fizemos, e a importância do que deixamos para depois.

O tempo -  que se engrandece perante os nossos olhos, mas que é tão pequeno no fim de contas. Que passa tão rápido e tão de fininho por nós, que nos finta e engana sem dificuldade,
e que nos faz sentir no começo de tudo um aperto,
e no fim de tudo tanta saudade.

É esse, o tempo, que sendo infinito é findável,
Que sendo indefinível é insofismável, que sendo impercetível é marcante, que sendo meramente controlado, é naturalmente incontornável.

É o tempo...
uma imensidão de poder querer, aprender, fazer e sentir,
sempre mais.

Ilustração © by Patrícia Magalhães


Nota: Se faz sentido, é tudo uma questão de tempo; e se não faz sentido, é tudo uma questão de sentir.


quarta-feira, 23 de maio de 2018

Declamação do Poema Ondas, -- antologia Poesia Escondida

O poema Ondas, declamado neste vídeo é da minha autoria, e faz parte da coletânea poética Poesia Escondida
Onde se Esconde o Meu Poema, da Pastelaria Estúdios Editora, acerca da qual já vos falei aqui no blogue.

Declamação do poema feita por - Teresa Maria Queiroz

Produção - Pastelaria Studios Audio - GMH

A cada onda, um novo começo, e a cada partida, uma nova estrada...

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Um Autorretrato, um Tributo e um desafio cumprido! -- Por Patrícia e Joana


Às vezes não sei se sou quem me julgo ser,
Vislumbro-me num mar de vidas como a minha, guiada apenas ao sabor de uma intuição tão própria.
A vida, pintada de mil e uma cores, ofusca-me mas eu não sei desistir,
e sorrio-lhe para lá do que os meus olhos podem ver,
e desejo-a para lá do que as minhas mãos possam segurar.
Nem sempre sei se o que vejo é exato, e por isso
paro e espero de mãos pousadas no muro entre mim e o sonho,
Entre um segundo e outro, compreendo mais uma vez o sentido do que me move
nesta esfera em que por vezes me encontro perdida.
Estico o braço e toco o imenso à minha volta com a ponta dos dedos,
e no instante que se segue o meu sonho é o bater do coração de quem amo,
tão real como real é a melodia dos corações que ouço bater,
neste uníssono que é sentir…
nesta esfera que é viver…

E mesmo que o que vejo não pareça nítido,
sigo pelo caminho que se me traça, até onde a vista alcança,
o coração almeja, e o corpo deseja chegar;

apesar de tudo, contra tudo,
E a favor do amor.

Esta sou eu…

Não para sempre, mas sempre enquanto existir.


Ilustração e seguinte texto © by Patrícia Magalhãess



De repente interrompo o gesto automático e fico com a mão suspensa, parada no tempo.
Há um olhar atento que me fixa sem se desviar, uma linha por boca, sem forçar qualquer expressão,
olhos que em seguida rodopiam, alternando o branco e a iris.
Sou eu, distorcida, e é tudo há minha volta.   

As luzes mescladas de tantas fontes tentam-se sobrepor e reclamar destaque.
Claridades que ofuscam quando as olhamos no filamento mais íntimo queimam pontos na minha retina,
e transformam o que vejo, alternando o real e o negativo.
Sou eu, intermitente, e é tudo há minha volta.

Rodo e mudo o ângulo, giro para o outro lado e inverto de novo, lentamente.
Na superfície os motivos sucedem-se, completam-se num desenho infinito, até onde consigo ver,
geometrias habituais , intercalando o espelho e o baço.
Sou eu, interrompida, e é tudo há minha volta.  

O mundo que se reflete é-me tão familiar, é quase o meu mundo, escondido sobre uma patine colorida.
Levanto os olhos e foco mais além, alternando entre o autêntico e o filtro.
Sou eu, através de uma película de cor, e é tudo há minha volta.

Com o mesmo repente com que parei, retomo o gesto.
No meio de todos os enfeites, procuro um ramo vazio e penduro a bola de Natal, reflexo de mim e de tudo há minha volta.


Tributo à gravura “Auto-retrato Num Espelho Esférico” de M. C. Escher (1935)


sábado, 28 de abril de 2018

Os exemplares de Poesia Escondida chegaram, e podem ser vossos


Chegaram!
Sim, chegaram!

E podem ser vossos. Como? Ora, vejam lá…


Chegaram na segunda feira passada os exemplares de POESIA ESCONDIDA
 ONDE SE ESCONDE O MEU POEMA? livros de que vos falo no post anterior, que podem ler, é só clicarem aqui.
Uma coletânea que conta com a participação de 51 autores, que em poemas da sua autoria demonstram aos leitores o imenso talento que lhes vive no peito e lhes flui por palavras; palavras essas, minhas e deles, que podem ser vossas.
O meu nome é um dos 51 nomes que podem ler na lista de autores que compõem esta obra.
Da minha autoria existem poemas que podem ler, e reler, caso adquiram um exemplar; é de salientar que os exemplares que por vós me forem adquiridos, vão devidamente autografados por mim, porque não quero que nada vos falte!
Como podem adquirir um destes especiais exemplares? Simples!
Seguem a baixo os contactos pelos quais me podem fazer as vossas reservas.
•    jr.edicoes@gmail.com
•    Facebook Página
•    Facebook Perfil Pessoal
•    Instagram.
Cada exemplar vai acompanhado de um marcador, para que possam retomar a vossa leitura sempre do ponto certinho em que pararam, e tem o custo, com portes incluídos, de 15€
São 125 páginas, aproximadamente, de poesia. Autores diferentes que deixam nestas páginas poemas que ao invés de se esconderem, mostram-se aos vossos olhos, aos vossos corações.

Corram, que os exemplares autografados não são muitos e, claro, estão à vossa espera!

Quando um sentimento cabe num poema, e um poema num livro, é parte de um sonho que se concretiza.
Está aqui um pedacinho do meu sonho que chega assim até vocês.

sábado, 24 de março de 2018

1ª Coletânea - Aconteceu e foi assim


Depois de alguns anos, de imensos poemas, alguns pequenos textos e um blogue que vocês tão bem conhecem, avancei agora para uma coletânea.
Há coisas na vida que surgem por acaso, e neste caso foi o que aconteceu. Lia o e-mail, quando me deparei com uma mensagem da Pastelaria Estúdios Editora, que já conheço de há alguns anos a esta parte, com um convite para participar numa coletânea que sairá daqui a algum tempo. Do convite que aceitei, fizeram-se dois, e de uma coletânea , fizeram-se duas. Como assim? Muito Simples! Aceitei o convite, e logo depois surgiu a oportunidade de ainda participar numa anterior coletânea poética que estava a ser editada, e eu, muito simplesmente não resisti e, aceitei, também.
A coletânea de que vos escrevo agora chama-se: POESIA ESCONDIDA
Onde se esconde o meu poema?
Muito em breve dois poemas da minha autoria estarão a par dos poemas de mais cinquenta e um autores que também participaram nesta coletânea que muito em breve chega até vós através das livrarias e outros canais de distribuição.
Se tenho orgulho nisto? Sim! Claro!




Não! Não se vão já embora!
Porque aqui no Outro Lado da Jo gosto de surpreender os leitores, seguidores e amigos/as,  vou fazer chegar até voz exemplares. Fiquem atentos/as, que não tarda e conto-vos tudo!
Vem aí uma coletânea que, prometo-vos, ser memorável, e eu espero que gostem de a obter ou receber e ler, assim como eu adorei participar!

Vejam aqui na Pastelaria Estúdios Editora 
Até já, Amigos/as!

Cada coisa a seu tempo;
Como o tempo certo de uma melodia que se ouve,
como o verso certo de um poema que se sente…