quarta-feira, 23 de maio de 2018

Declamação do Poema Ondas, -- antologia Poesia Escondida

O poema Ondas, declamado neste vídeo é da minha autoria, e faz parte da coletânea poética Poesia Escondida
Onde se Esconde o Meu Poema, da Pastelaria Estúdios Editora, acerca da qual já vos falei aqui no blogue.

Declamação do poema feita por - Teresa Maria Queiroz

Produção - Pastelaria Studios Audio - GMH

A cada onda, um novo começo, e a cada partida, uma nova estrada...

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Um Autorretrato, um Tributo e um desafio cumprido! -- Por Patrícia e Joana


Às vezes não sei se sou quem me julgo ser,
Vislumbro-me num mar de vidas como a minha, guiada apenas ao sabor de uma intuição tão própria.
A vida, pintada de mil e uma cores, ofusca-me mas eu não sei desistir,
e sorrio-lhe para lá do que os meus olhos podem ver,
e desejo-a para lá do que as minhas mãos possam segurar.
Nem sempre sei se o que vejo é exato, e por isso
paro e espero de mãos pousadas no muro entre mim e o sonho,
Entre um segundo e outro, compreendo mais uma vez o sentido do que me move
nesta esfera em que por vezes me encontro perdida.
Estico o braço e toco o imenso à minha volta com a ponta dos dedos,
e no instante que se segue o meu sonho é o bater do coração de quem amo,
tão real como real é a melodia dos corações que ouço bater,
neste uníssono que é sentir…
nesta esfera que é viver…

E mesmo que o que vejo não pareça nítido,
sigo pelo caminho que se me traça, até onde a vista alcança,
o coração almeja, e o corpo deseja chegar;

apesar de tudo, contra tudo,
E a favor do amor.

Esta sou eu…

Não para sempre, mas sempre enquanto existir.


Ilustração e seguinte texto © by Patrícia Magalhãess



De repente interrompo o gesto automático e fico com a mão suspensa, parada no tempo.
Há um olhar atento que me fixa sem se desviar, uma linha por boca, sem forçar qualquer expressão,
olhos que em seguida rodopiam, alternando o branco e a iris.
Sou eu, distorcida, e é tudo há minha volta.   

As luzes mescladas de tantas fontes tentam-se sobrepor e reclamar destaque.
Claridades que ofuscam quando as olhamos no filamento mais íntimo queimam pontos na minha retina,
e transformam o que vejo, alternando o real e o negativo.
Sou eu, intermitente, e é tudo há minha volta.

Rodo e mudo o ângulo, giro para o outro lado e inverto de novo, lentamente.
Na superfície os motivos sucedem-se, completam-se num desenho infinito, até onde consigo ver,
geometrias habituais , intercalando o espelho e o baço.
Sou eu, interrompida, e é tudo há minha volta.  

O mundo que se reflete é-me tão familiar, é quase o meu mundo, escondido sobre uma patine colorida.
Levanto os olhos e foco mais além, alternando entre o autêntico e o filtro.
Sou eu, através de uma película de cor, e é tudo há minha volta.

Com o mesmo repente com que parei, retomo o gesto.
No meio de todos os enfeites, procuro um ramo vazio e penduro a bola de Natal, reflexo de mim e de tudo há minha volta.


Tributo à gravura “Auto-retrato Num Espelho Esférico” de M. C. Escher (1935)


sábado, 28 de abril de 2018

Os exemplares de Poesia Escondida chegaram, e podem ser vossos


Chegaram!
Sim, chegaram!

E podem ser vossos. Como? Ora, vejam lá…


Chegaram na segunda feira passada os exemplares de POESIA ESCONDIDA
 ONDE SE ESCONDE O MEU POEMA? livros de que vos falo no post anterior, que podem ler, é só clicarem aqui.
Uma coletânea que conta com a participação de 51 autores, que em poemas da sua autoria demonstram aos leitores o imenso talento que lhes vive no peito e lhes flui por palavras; palavras essas, minhas e deles, que podem ser vossas.
O meu nome é um dos 51 nomes que podem ler na lista de autores que compõem esta obra.
Da minha autoria existem poemas que podem ler, e reler, caso adquiram um exemplar; é de salientar que os exemplares que por vós me forem adquiridos, vão devidamente autografados por mim, porque não quero que nada vos falte!
Como podem adquirir um destes especiais exemplares? Simples!
Seguem a baixo os contactos pelos quais me podem fazer as vossas reservas.
•    jr.edicoes@gmail.com
•    Facebook Página
•    Facebook Perfil Pessoal
•    Instagram.
Cada exemplar vai acompanhado de um marcador, para que possam retomar a vossa leitura sempre do ponto certinho em que pararam, e tem o custo, com portes incluídos, de 15€
São 125 páginas, aproximadamente, de poesia. Autores diferentes que deixam nestas páginas poemas que ao invés de se esconderem, mostram-se aos vossos olhos, aos vossos corações.

Corram, que os exemplares autografados não são muitos e, claro, estão à vossa espera!

Quando um sentimento cabe num poema, e um poema num livro, é parte de um sonho que se concretiza.
Está aqui um pedacinho do meu sonho que chega assim até vocês.

sábado, 24 de março de 2018

1ª Coletânea - Aconteceu e foi assim


Depois de alguns anos, de imensos poemas, alguns pequenos textos e um blogue que vocês tão bem conhecem, avancei agora para uma coletânea.
Há coisas na vida que surgem por acaso, e neste caso foi o que aconteceu. Lia o e-mail, quando me deparei com uma mensagem da Pastelaria Estúdios Editora, que já conheço de há alguns anos a esta parte, com um convite para participar numa coletânea que sairá daqui a algum tempo. Do convite que aceitei, fizeram-se dois, e de uma coletânea , fizeram-se duas. Como assim? Muito Simples! Aceitei o convite, e logo depois surgiu a oportunidade de ainda participar numa anterior coletânea poética que estava a ser editada, e eu, muito simplesmente não resisti e, aceitei, também.
A coletânea de que vos escrevo agora chama-se: POESIA ESCONDIDA
Onde se esconde o meu poema?
Muito em breve dois poemas da minha autoria estarão a par dos poemas de mais cinquenta e um autores que também participaram nesta coletânea que muito em breve chega até vós através das livrarias e outros canais de distribuição.
Se tenho orgulho nisto? Sim! Claro!




Não! Não se vão já embora!
Porque aqui no Outro Lado da Jo gosto de surpreender os leitores, seguidores e amigos/as,  vou fazer chegar até voz exemplares. Fiquem atentos/as, que não tarda e conto-vos tudo!
Vem aí uma coletânea que, prometo-vos, ser memorável, e eu espero que gostem de a obter ou receber e ler, assim como eu adorei participar!

Vejam aqui na Pastelaria Estúdios Editora 
Até já, Amigos/as!

Cada coisa a seu tempo;
Como o tempo certo de uma melodia que se ouve,
como o verso certo de um poema que se sente…


sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Melodia

Ilustração © by Patrícia Magalhães
Melodia


Sabes, tenho os dedos dormentes de tanto escrever-te.
As cartas são tantas, e as palavras que já nem conheço dizem-me que não mais te escreva.
Como posso não escrever-te?
Se o meu peito ainda te guarda um lugar cativo e tão grande como esta saudade que me veste de desejos.

Podia rasgar as pétalas das rosas vermelhas sangue que coloquei na jarra que um dia me trouxeste,
e podia voltar a tocar o piano de cauda que existe ao canto da sala.
Podia ainda recitar os poemas antigos que gostava e que foram prosa
sempre que sonhávamos de mãos dadas.
Mas sabes?
Podia viver, mas não sei…

A jarra está vazia e as rosas de antes murcharam como folhas de um outono que passou por aqui.
O piano ficou mudo e os meus dedos estão dormentes pelo tanto que já te escrevi,
os poemas perderam os versos – espalharam-se pelo chão desta casa,
pelo fim que é tão grande, pelo tempo que só a mim me sobrou.
E os sonhos… os sonhos voaram contigo…

Podia cantar à primavera e pedir-lhe que volte,
plantar flores de mil cores no jardim e regar tudo com esperança,
preparar o chá para dois como antes fazia.
Prometer às sardinheiras das janelas que tudo recomeça a seu tempo.
Podia. Bem sei que podia.
Mas a jarra está vazia,
e o piano está mudo,
e os poemas… ah, os poemas…
estão transformados em cartas – as mesmas que te escrevi e que me deixaram estes dedos sem força para tocar o amor…

Ainda sinto cá dentro a melodia que tocava ao piano nas tardes de Domingo,
e o calor daquele sol atrevido que entrava pela janela e que se acomodava no meu colo,
e os teus olhos pousados nos meus olhos
como quem tudo diz, como quem tudo sente.
Mas no fundo, tudo mais nada é que saudade, e o meu coração, um náufrago,
que neste mar de coisas imensas ainda te procura, só para te contar que mesmo depois do fim,
ficou a melodia de um grande amor 
por reinventar…

*

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Olhando a Rua


Olhando a Rua - Para o Diário Gráfico, Desenho de Agosto de 1987
© by Patrícia Magalhães



Senta-te aqui ao meu lado e bebe da vida o calor do momento.
Sorri um pouco e relaxa o morador rebelde do teu peito,
que a vida é tão curta para que nos sintamos sós.

No Cálice do tempo resta-nos as boas memórias que a vida nos dá,
e as sensações que nos percorrem o corpo, gole a gole, sem olhar o relógio.
Lembro-me bem de todas as noites de verão que cumprimos sem pressa do depois,
e daquela brisa de mar que nos fazia pensar que iríamos viver esse verão para sempre,
já que para sempre é o tempo do desejo…
As ruas de antes são as mesmas de hoje, mesmo depois de tantos anos,
mas, mudaram os rostos de quem amamos,
e inevitavelmente, nós também…

O sol vai-se pondo, fazendo-nos lembrar que a vida passa,
e tu, já fumas um cigarro com a tranquilidade de quem já viu quase o mundo todo,
e eu, já encaro o mundo sem estranheza ou pudor.
Sei, como sabes, que isto é o fruto da experiência,
e sabemos que apesar de tudo, dentro do peito ainda mora a mesma ingenuidade…

Lemos os pensamentos na vastidão do horizonte,
escritos naquela linha imaginária que existe onde termina o céu e começa o mar.
Os olhos, curiosos, prendem-se a um traço de sorriso que se solta de uma lembrança de verão – o mesmo em que esta rua e aquela praia se enchiam de nós,
lembras-te?

O vento suave segreda-nos ao ouvido as canções que ouvíamos, apaixonantemente,
e o ar quente que nos envolve e afaga a roupa, lembra-nos que crescemos tal como a vida quis,
mas por dentro vivem os mesmos sonhos…

Dizes-me que querias que o verão do nosso tempo voltasse,
mas, o tempo não é nosso, e o verão é apenas o morador eterno desta rua
que olhamos na esperança de guardar segundo a segundo do que vamos sendo,
como um álbum de fotografias que usamos para recordar…

Pedes-me que sorria, que vais sorrir também.
E que quando olharmos o horizonte, possamos sempre ver a nossa rua
e todos os nossos sonhos que nos fizeram acontecer…

            *