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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Neste Mar

 

 

"Sabes em que mar me perdi? No mesmo mar em que se perdem os teus olhos". Disseste-mo e eu acreditei.
Hei de acreditar-te sempre e afundar-me, feliz, depois disso nesse mar de amor em que te vi surgir,

O mesmo mar em que se perdem os teus olhos 

e onde ondas são feitas de todos os desejos que guardo em mim para te dar,
o mesmo mar onde me esperas, com o sal, sonhos e flores que são os beijos que crescem para me dares.

Voltamos juntos, por toda a vida, a esta praia que é feita de recomeços,

sempre que aportamos um no outro para ficar,
do sol se por ao sol nascer, cobertos pela noite que não sendo de mais nada,
faz-se ainda assim do que o amor precisa, a alma espera, e o corpo deseja...

                    *                    

 
    As histórias escritas à beira mar, não são apagadas, mas sim levadas pelas ondas para o fundo do mar, e por toda a vida guardadas no canto mais recôndito  de cada coração.

 

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Sono


Esta noite, mais uma vez, não vieste...
Deixaste-me ao sabor dos meus sonhos, dos meus pensamentos, e até dos meus medos.
Não me quiseste nem me procuraste, e eu de frio ou desamparo, estremeci.
Virei-me na cama vezes sem conta, contei as batidas do morador do meu peito, vi horas passarem como o vento lá fora, até perder-me no chirriar dos passarinhos que acordam quando chega o amanhecer.
Olhei para os lados desta cama e da minha vida, sem saber qual seria o lado certo, e lutei para fechar os olhos e, quem sabe, como por magia ou sorte vindoura, sentir-te chegares, suave, mas real - qual porto seguro para que pudesse adormecer,  nessa espera feita para recomeçar.


Porem, continuei tão só ao fim da noite como no começo, e contei mais uma vez os minutos, até perder a esperança  na tua chegada,
Talvez porque senti que já não vinhas, nem mesmo com o nascer da aurora.
Tu não voltarias como noutras noites, não me tocarias nem me embalarias.
Não me apagarias mais os pensamentos, nem me trarias outros sonhos. Tu não me combaterias nem me afastarias os medos, os meus fantasmas e os meus delírios... não farias, tal como não fizeste, nada por mim, esta noite.

E eu mais perdida soube que irei,,, passo a passo pela casa, ao encontro de um novo dia, que chegou, ainda cansado, com restos de um ontem que sei que não voltará.
Espero apenas, entre uma e outra chávena de café, que logo à noite voltes, e me leves -- para onde apenas vão os que sonham, como eu.

Porque: Durante a noite, os sós, ficam sempre mais sós.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Foram Sempre Mais de Mil

Ilustração por Patrícia Magalhães
 Foram Sempre Mais de mil 





Foram mais de mil as coisas que não disse,
que engoli, calei e até fiz por esquecer, embora sem sucesso.
As palavras que guardei, hoje são o alimento dos cadernos imensos,
repletos de sentimentos traduzidos em poemas
que vez por vez me saem num jeito simples de desabafo.
É que havia tanto a dizer, e a pensar, e a compreender.
Tanto, que não bastariam as noites, e os dias,
e o espaço que a vida deixa para sentir ao invés de apenas fazer.

Foram mais de mil os livros nas estantes que ficaram por ler,
e tantos sublinhados por fazer, e tantas passagens por escrever na palma da mão,
como quem tenta escrever na alma para nunca mais esquecer,
ou para ter com o que sonhar, sempre que o coração precisar de aconchego.
Mas tudo passa, e só os livros ficam - são mais de mil,
e entre eles estão os livros das minhas palavras, do meu imenso que ficou por contar – um dia,
quando houver tempo de sentir e acontecer…

Foram mais de mil as noites que ficaram por cumprir,
é que o tempo não se atrasa, acho até que o seu relógio tem uma corda infinda,
e a pontualidade fica sem pudor,
marcada nas mãos pousadas sobre os cadernos cheios de poemas,
e sobre as estantes repletas de livros, para que se saiba, sem esquecer,
 que o tempo também passou por cá.

Foram mais de mil os desejos que se foram perdendo,
espalhando-se pelo chão e pelas paredes desta casa.
Lá de quando em vez,  avista-se um desejo num canto de um móvel,
ou numa página de um livro,
que até lhe dobrei a ponta, para que jamais me caia no esquecimento
toda aquela vontade de cumprir sonhos como quem cumpre os dias...

Foram mais de mil os dias que passei aqui,
escrevi e apaguei palavras, calei a voz do silêncio como pude,
e como pude, teci um manto de motivos que me façam escrever por toda a vida,
sobre as mais de mil coisas que por pudor ou incerteza fui deixando por escrever…

aqui, neste barco de sentimentos e sentidos,
remado apenas pelo coração,
que entre mais de mil corações, é tão somente o meu,.

                    *                   

domingo, 29 de julho de 2018

O Tempo do Nosso Tempo



O tempo - que se nos esgota,
que se nos corre por entre os dedos, e por nada se aloja nas palmas das mãos, no colo, no enlaçar dos braços...

O tempo - que nunca nos sobra,
que tantas vezes nos falta, que nos leva a perguntar: quando foi?

O tempo - que nos escreve nas linhas de expressão a nossa história,
e que ao espelho nos mostra o valor do que fizemos, e a importância do que deixamos para depois.

O tempo -  que se engrandece perante os nossos olhos, mas que é tão pequeno no fim de contas. Que passa tão rápido e tão de fininho por nós, que nos finta e engana sem dificuldade,
e que nos faz sentir no começo de tudo um aperto,
e no fim de tudo tanta saudade.

É esse, o tempo, que sendo infinito é findável,
Que sendo indefinível é insofismável, que sendo impercetível é marcante, que sendo meramente controlado, é naturalmente incontornável.

É o tempo...
uma imensidão de poder querer, aprender, fazer e sentir,
sempre mais.

Ilustração © by Patrícia Magalhães


Nota: Se faz sentido, é tudo uma questão de tempo; e se não faz sentido, é tudo uma questão de sentir.


quarta-feira, 16 de maio de 2018

Um Autorretrato, um Tributo e um desafio cumprido! -- Por Patrícia e Joana


Às vezes não sei se sou quem me julgo ser,
Vislumbro-me num mar de vidas como a minha, guiada apenas ao sabor de uma intuição tão própria.
A vida, pintada de mil e uma cores, ofusca-me mas eu não sei desistir,
e sorrio-lhe para lá do que os meus olhos podem ver,
e desejo-a para lá do que as minhas mãos possam segurar.
Nem sempre sei se o que vejo é exato, e por isso
paro e espero de mãos pousadas no muro entre mim e o sonho,
Entre um segundo e outro, compreendo mais uma vez o sentido do que me move
nesta esfera em que por vezes me encontro perdida.
Estico o braço e toco o imenso à minha volta com a ponta dos dedos,
e no instante que se segue o meu sonho é o bater do coração de quem amo,
tão real como real é a melodia dos corações que ouço bater,
neste uníssono que é sentir…
nesta esfera que é viver…

E mesmo que o que vejo não pareça nítido,
sigo pelo caminho que se me traça, até onde a vista alcança,
o coração almeja, e o corpo deseja chegar;

apesar de tudo, contra tudo,
E a favor do amor.

Esta sou eu…

Não para sempre, mas sempre enquanto existir.


Ilustração e seguinte texto © by Patrícia Magalhãess



De repente interrompo o gesto automático e fico com a mão suspensa, parada no tempo.
Há um olhar atento que me fixa sem se desviar, uma linha por boca, sem forçar qualquer expressão,
olhos que em seguida rodopiam, alternando o branco e a iris.
Sou eu, distorcida, e é tudo há minha volta.   

As luzes mescladas de tantas fontes tentam-se sobrepor e reclamar destaque.
Claridades que ofuscam quando as olhamos no filamento mais íntimo queimam pontos na minha retina,
e transformam o que vejo, alternando o real e o negativo.
Sou eu, intermitente, e é tudo há minha volta.

Rodo e mudo o ângulo, giro para o outro lado e inverto de novo, lentamente.
Na superfície os motivos sucedem-se, completam-se num desenho infinito, até onde consigo ver,
geometrias habituais , intercalando o espelho e o baço.
Sou eu, interrompida, e é tudo há minha volta.  

O mundo que se reflete é-me tão familiar, é quase o meu mundo, escondido sobre uma patine colorida.
Levanto os olhos e foco mais além, alternando entre o autêntico e o filtro.
Sou eu, através de uma película de cor, e é tudo há minha volta.

Com o mesmo repente com que parei, retomo o gesto.
No meio de todos os enfeites, procuro um ramo vazio e penduro a bola de Natal, reflexo de mim e de tudo há minha volta.


Tributo à gravura “Auto-retrato Num Espelho Esférico” de M. C. Escher (1935)


terça-feira, 13 de outubro de 2015

O Tempo do Amor



O amor e a dor não têm relógio,
nem de pulso nem de bolso, quer seja para chegar,
quer seja para partir.
Fazem-no como se o coração tivesse nome de porta aberta
e o peito fosse um mar sem fundo, um mundo sem chave,
ou um relógio sem tempo
p’ra tudo ter o seu tempo de poder acontecer.

                    *                  

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Temo, um dia

 

 

Temo, um dia,

que o coração deixe de ser criança,

e que os sonhos se acabem, e a esperança se finde,

e os motivos para sorrir deixem de acontecer.

 

Temo, um dia,

que o coração se torne adulto, e

tudo o que eu adoro, deixe de adorar, e

tudo o que eu sinto, deixe de sentir, e

tudo o que me faz feliz, me faça chorar, e

tudo o que me faz querer ficar, se torne em motivo p'ra partir.

 

Temo, um dia, que o coração se apequene…

deixe espaço no peito,

guarde demasiados restos do que podia ter sido, e

não acredite mais no que pode vir a ser.

 

Temo, um dia, que eu,

tão crescida, deixe de ser criança.

É que ser criança é ser a simplicidade de viver.

E ser adulto é muitas vezes a desculpa

para já não sonhar.

 

*

 

“Lá, dos tempos em que só escrevia para mim, e para mais ninguém…”

 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Poemas, sei lá eu, se por escrever

 

 

Caíram-me os poemas ao chão.

Há versos soltos, espalhados
pela alcatifa,
pelo ar, pelo fim e
pelo recomeço constante dos dias.
Não os recolho.
Não os posso saber de cor, conhecer-lhes as entrelinhas - as mesmas
que não leio, que não conheço, que
não posso sentir...

 

Caíram-me os poemas ao chão.

Rimas, já não as trago, não as tenho,
não as sei.
São livres como as asas dos meus sonhos, os
meus versos.

E os meus reversos…. Ah” sei la eu
dos meus reversos,
quanto mais saber dos dias, em que as palavras são
braços pungentes que me embalam, e as entrelinhas
dos meus poemas são pouco de quase nada que o
tempo traz e leva ao sabor de outros poemas, sei la eu
se por escrever. Quem sabe?

Ninguém. Ou quem, como eu,
viu cair-lhe ao chão poemas como os meus – pedaços de tudo o que existe,
para além dos versos, para além da razão – a minha, que corre
ao sabor do pulsar do coração – o meu,
que por ser meu
voa livre, até onde o tempo o deixar voar.

 

Caíram-me os poemas ao chão.

Eram tantos…
E os versos… Que dizer dos versos.

Tantos versos e, tantas entrelinhas que só
o tempo e as palavras sabem como declamar, agora,
que de tudo, fica tão pouco,
neste chão tão cheio de nada, como em nada
se transformam todas as coisas que em poemas
vivi.

 

*

 

 

Rascunhos do Pensamento

 

·         Toda a minha vida de escritora não passou de um tempo de possibilidade de dar forma às palavras que nunca pude dizer, talvez por medo de que perdessem a força ao verbalizá-las.

 

·         Roubarem-me as palavras que escrevo e, afastarem-me da oportunidade de o fazer é, silenciarem-me o coração.

 

·         Quem dera, toda a saudade que sinto fosse um poema... Assim sei que, tal como o poema, toda a saudade que sinto, terminaria.

 

*

 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Um Céu Azul à Minha Espera

 

Dei comigo perdida em pensamentos, lembranças e sonhos.
Tantas. Tantas coisas que tinham feito sentido.
Senti de súbito cansaço.
Um cansaço tão forte, tão grande, tão pesado que
julguei ter-me sido colocado o mundo sobre os ombros.
Mas era só, apercebi-me, o meu mundo sobre os meus ombros…

Um par de coisas que tinha feito no passado,
um alguém que havia amado,
um projeto que tinha abraçado. Sei lá.
Tantas coisas…

Mas, há um grito que me arranca de mim própria.
É como um suspiro que ficou esquecido algures no meu fundo ou,
um momento que vai do riso às lágrimas, sem que eu saiba porquê;
sem que eu entenda porquê.

Estou cansada e a vida, pesa-me aos ombros.
Ainda há um adeus que deixei por dizer,
um amo-te que morre sem que o possa contar.

Há um abraço que preciso p'ra me fazer sorrir,
uma ausência demasiada p'ra me fazer chorar.

Estou cansada e suspiro por fim, um poema.
Só mais um grito de quem coleciona estrelas
que me lembram a cada estremecimento de dor,

que há, mesmo sendo longe,
um céu azul onde tanto quero chegar, e
há, um repousar seguro, p’ra me lembrar que todo o cansaço
é um tanto de vitória, pela coragem de não me deixar desistir.

 

*

 

Rabiscos do Pensamento

 

·         É pelas frestas do esforço que vemos muitas vezes mais um pouco da razão que nos alimenta a coragem p'ra continuar.

 

·         Os sonhos são o escape da alma, face a realidade. A realidade, é o tempo de que dispomos para realizar os sonhos.

 

·         Tatuamos muitas vezes a alma com sonhos, para que a realidade não seja tão sem cor.

 

*