terça-feira, 31 de outubro de 2017

Poema Alado - (Reedição)


Ilustração: © by   Patrícia Magalhães



Vou de tapete voador pelo mundo;
com pouso certo, luar incerto e voltar de vez.
Vou daqui ao polo norte,
vou ao sul, ao centro… e com sorte,
vou ao sabor de sete ventos, quatro luas e
mil marés.

Sou pássaro livre, e de liberdade
pinto as chamas que nas asas me vês,
de fugida que de outra forma não existo,
de saudade, de sonhos, de amores tamanhos,
outras vidas sem porquês.

Sou o rio que de chuva se enche,
a água que corre rumo ao rumo
que já quiseram p’ra mim.
Sou noite que de estrelas brilha e sente
as almas, que como a minha, se perdem por aí.

Vou de tapete voador pelo mundo;
nos dias sem horas, nas horas sem noites,
pelos momentos sem fim.
O sangue que nas veias me corre,
na foz deste poema se entrega e morre,
se num acaso de um dia,
deixar de voar o pássaro livre, que de livre mente mora em mim.

Sei que tudo tem um fim e,
o fim de tudo, é tudo
o que tenho p’ra ser quem sou.
Recomeço de onde começa a liberdade,
e não espero, que esperar traz saudade…
sem promessas de regresso,
como poema alado, pelo mundo,
me refundo e vou.

                    *                 

Escrito e publicado originalmente em Outubro de 2013, com reedição e ilustração em em Agosto de 2017.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Desta Margem


Escrevo da margem de mim; lugar
de onde sinto cair a noite, e chegar mais
uma hora, hesitante, como eu.

Aqui o tempo para e recomeça, quando
o céu se arqueia sobre o topo
da montanha à qual me encosto e de onde
conto estrelas, ainda à espera de
ver chegar a minha estrela – azul, livre,
fugaz - tão fugaz como os dez ou cem
versos que ao acaso escrevi, mas sei lá porquê
rasguei e esqueci de vez,
como tanta vez caí no esquecimento de quem sempre
lembrei, com a promessa de ser só mais uma vez – uma última vez.

Nesta margem de mim, de onde escrevo,
a vista para o mar não existe, mas
ainda assim, sinto morrerem ondas que me levavam e
traziam sonhos para partilhar com quem é desertor dos meus abraços,
e morador de lembranças que enterro com as saudades sob esta terra,
sob este chão em que me sento p’ra escrever.

Tenho por companhia a solidão calada e pacífica, com quem partilho uma taça de tanto que não se diz.
Bebemos dos pensamentos, gota a gota,
como se fossem agua gelada de ausência,
ou vento quente de emoção.
Lá longe o tempo chama-me, mas,
atirei o relógio fora, e só deixo esta terra,
se for p’ra ser certeza.

Já não me basta o que me dói,
e eu vejo desta margem um rio de esperanças,
com brumas de vida que o meu coração almeja sentir,
assim como eu desejo sonhar
todos os dias, sem porquês…

*

Ilustração © by   Patrícia Magalhães
Desta Margem


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Mundo


Escrevo porque sim ou porque não.
A verdade é que nem sei porque o faço. Faço-o e pronto.

Escrevo como quem de mão fechada agarra-se à própria vida,
umas vezes para salvar-se, outras vezes, para salvá-la do silêncio das palavras,
 ou do som da solidão.
Escrevo porque quero, ou porque preciso - tanto faz.
Escrevo por tudo, e por nada,
e por um tudo que é nada, na imensidão do que tanto já existe escrito por aí,
 pelas mãos de quem como eu também escreve, umas vezes por amor,
e outras tantas vezes porque assim tem de ser...

Escrevo como quem tece um pano que envolve a alma,
ou como quem fia o fio que me prende ao sonho.
E por vezes nem sei se é sonho o que me faz escrever,
ou se é o tanto de tudo o que escrevo que me faz sonhar.

Só sei que escrevo sempre que a razão me aprisiona
às palavras e ao imenso que é o mundo – o mesmo mundo que me chama só p’ra dizer::

Descobre-me…

*


Ilustração © by   Patrícia Magalhães
Mundo



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Cansaço

Ilustração: © by   Patrícia Magalhães
Cansaço


Adormeço nos braços de um cansaço triste,
embalada pela angústia, atormentada pelo desejo.

Se me caísse no colo um sonho, e nos lábios um beijo, talvez
o medo que tenho fosse companhia,
e não o guardião do coração que em mim trago.

Não há flores no jardim diante à janela,
e a chuva cai insípida sobre o mundo.
Só o cheiro a terra molhada lembra-me o que já fui,
e as canções que cantei, os sonhos que sonhei, e,
um pouco de tudo o que senti…

Acabam-se as palavras e os riscos.
Não há espaço p'ra mais lágrimas e papel gasto em vão.
Só quero adormecer e sentir que dormindo
vivo mais um pouco, e que num sonho,
um beijo é a certeza de que viver não foi,
até hoje, em vão...

*


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Entrei Num Barco Chamado Vida



Entrei num barco chamado vida
e agora não sei o que será de mim.
Empurraram-me e fizeram-me refém de desejos, sonhos,
Momentos que só o tempo pode ou sabe compreender.
Não adivinho o futuro, que o futuro só pertence a quem o traça,
E eu ao invés de escrever sobre o que virá,
Só sei agarrar-me às palavras que os poetas inventaram,
Não sei se para mim, se para o amor…

A vela acesa que me ilumina chama-se sol,
que me aquece o sangue o corpo, a alma.
E eu, que bebo o néctar da esperança,
espero sem medo, que os segundos não tardam, e a paixão
também não.

Às vezes acho que posso voar como um pássaro e,
esquecer que tudo o que me prende tem nome e sentido.
E vou sem sentido, sem rumo, como quem procura perder-se,
para depois se encontrar no mesmo lugar onde os sonhos são
estrelas – aquelas estrelas que conto,
meio perdida, meio achada até adormecer, todas as noites.

Atiro-me aos sonhos como quem se atira à vida à procura do destino.
Mas não acho os sonhos sem os sonhar, nem encontro o destino
sem viver cada desejo forte e único como este amor – o mesmo amor que,
mais uma vez me faz escrever…

                    *                   

Ilustração: © by   Patrícia Magalhães
Entrei Num Barco Chamado Vida

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Vamos Conhecer a Patrícia?


Como prometido, escrevo-vos hoje acerca da Patrícia!
Há umas semanas lancei no Facebook um pedido para encontrar um/a ilustrador/a para trabalhar comigo. Não especifiquei grande coisa no anúncio, pois pormenores de como tudo se iria processar, falaríamos depois se realmente surgisse alguém a pelo menos querer saber de alguma coisa relacionada com o trabalho. Deixei as formas de contacto para falarem comigo, e esperei pacientemente. Alguns amigos e leitores do blogue sugeriram que procurasse alguém junto das faculdades de belas artes. Gostei da ideia, mas não era bem por aí que queria ir. Sempre gostei do inesperado, do único, e resolvi-me por isso a continuar à espera que alguém respondesse ao meu pedido.
Cerca de dois dias se passaram, quando recebi da patrícia um simpático e-mail. Entre outras coisas a patrícia demonstrava uma enorme vontade em entrar comigo nesta aventura. Claro que não lhe diria que não. Não por ela ser minha amiga, uma amiga muito especial que conheci numa fase muito importante da minha vida, nem por ela ter, como bem sei e comprovei, um bom gosto incrível, mas porque a patrícia tem uma característica muito importante para mim. Querem saber qual é? Eu conto-vos. A patrícia desenha por gostar de desenhar e por fazê-lo desde, como ela mesmo me diz, que se conhece. Exatamente. Mais do que por dinheiro ou por saber fazê-lo, a patrícia desenha por gostar, assim como eu canto porque gosto de cantar, e escrevo porque gosto de escrever. E é esta a filosofia por de trás deste blogue. Tudo o que aqui existe, existe porque se sente prazer e gosto em fazer. Há uma imensa necessidade de que tudo o que coloco aqui seja feito de coração, mesmo porque a arte para ser sentida e ser arte, tem de ser verdadeira.
Trocámos mais uns e-mails nos quais lhe expliquei o que era preciso fazer, a simplicidade do trabalho e a flexibilidade do mesmo.
Hoje a patrícia Magalhães integra a equipa pequenina do blogue, e vai certamente com o bom gosto que tem, dar cor aos poemas e textos que aqui vou postando para todos/as vós!
Deixem-se levar pelo bom gosto e pela mensagem de cada foto, que tenho a certeza, não é de deixar ninguém indiferente!

Já amanhã, sai o primeiro poema ilustrado pela Patrícia!

Bem vinda Patrícia! E, obrigada por abraçares esta aventura!

*