quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Entrei Num Barco Chamado Vida



Entrei num barco chamado vida
e agora não sei o que será de mim.
Empurraram-me e fizeram-me refém de desejos, sonhos,
Momentos que só o tempo pode ou sabe compreender.
Não adivinho o futuro, que o futuro só pertence a quem o traça,
E eu ao invés de escrever sobre o que virá,
Só sei agarrar-me às palavras que os poetas inventaram,
Não sei se para mim, se para o amor…

A vela acesa que me ilumina chama-se sol,
que me aquece o sangue o corpo, a alma.
E eu, que bebo o néctar da esperança,
espero sem medo, que os segundos não tardam, e a paixão
também não.

Às vezes acho que posso voar como um pássaro e,
esquecer que tudo o que me prende tem nome e sentido.
E vou sem sentido, sem rumo, como quem procura perder-se,
para depois se encontrar no mesmo lugar onde os sonhos são
estrelas – aquelas estrelas que conto,
meio perdida, meio achada até adormecer, todas as noites.

Atiro-me aos sonhos como quem se atira à vida à procura do destino.
Mas não acho os sonhos sem os sonhar, nem encontro o destino
sem viver cada desejo forte e único como este amor – o mesmo amor que,
mais uma vez me faz escrever…

                    *                   

Ilustração: © by   Patrícia Magalhães
Entrei Num Barco Chamado Vida

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Vamos Conhecer a Patrícia?


Como prometido, escrevo-vos hoje acerca da Patrícia!
Há umas semanas lancei no Facebook um pedido para encontrar um/a ilustrador/a para trabalhar comigo. Não especifiquei grande coisa no anúncio, pois pormenores de como tudo se iria processar, falaríamos depois se realmente surgisse alguém a pelo menos querer saber de alguma coisa relacionada com o trabalho. Deixei as formas de contacto para falarem comigo, e esperei pacientemente. Alguns amigos e leitores do blogue sugeriram que procurasse alguém junto das faculdades de belas artes. Gostei da ideia, mas não era bem por aí que queria ir. Sempre gostei do inesperado, do único, e resolvi-me por isso a continuar à espera que alguém respondesse ao meu pedido.
Cerca de dois dias se passaram, quando recebi da patrícia um simpático e-mail. Entre outras coisas a patrícia demonstrava uma enorme vontade em entrar comigo nesta aventura. Claro que não lhe diria que não. Não por ela ser minha amiga, uma amiga muito especial que conheci numa fase muito importante da minha vida, nem por ela ter, como bem sei e comprovei, um bom gosto incrível, mas porque a patrícia tem uma característica muito importante para mim. Querem saber qual é? Eu conto-vos. A patrícia desenha por gostar de desenhar e por fazê-lo desde, como ela mesmo me diz, que se conhece. Exatamente. Mais do que por dinheiro ou por saber fazê-lo, a patrícia desenha por gostar, assim como eu canto porque gosto de cantar, e escrevo porque gosto de escrever. E é esta a filosofia por de trás deste blogue. Tudo o que aqui existe, existe porque se sente prazer e gosto em fazer. Há uma imensa necessidade de que tudo o que coloco aqui seja feito de coração, mesmo porque a arte para ser sentida e ser arte, tem de ser verdadeira.
Trocámos mais uns e-mails nos quais lhe expliquei o que era preciso fazer, a simplicidade do trabalho e a flexibilidade do mesmo.
Hoje a patrícia Magalhães integra a equipa pequenina do blogue, e vai certamente com o bom gosto que tem, dar cor aos poemas e textos que aqui vou postando para todos/as vós!
Deixem-se levar pelo bom gosto e pela mensagem de cada foto, que tenho a certeza, não é de deixar ninguém indiferente!

Já amanhã, sai o primeiro poema ilustrado pela Patrícia!

Bem vinda Patrícia! E, obrigada por abraçares esta aventura!

*

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Seis Anos de Blogue, e Muitas Novidades!


Olá, estimados/as amigos/as e leitores/as aqui deste meu e vosso cantinho. Há muito que este blogue anda demasiado parado, demasiado sem vida. Já completou, no passado dia 11 de Julho deste mesmo ano, 6 anos de existência. Seis anos de muito orgulho para mim enquanto autora e criadora deste projeto. Querendo contrariar esta falta de atividade, em parte por falta de criatividade e inspiração, bem como por outros motivos que têm mudado a minha vida, venho hoje falar-vos das mudanças que estão preparadinhas para começarem a surgir por aqui!
A primeira mudança já a puderam constatar. O domínio! Pois é, mudei o domínio, afinal a marca deste blogue está registada e já estava mais do que na hora de termos uma morada exclusiva.
Outra das mudanças é o logotipo pomposo e original, criação de um amigo com quem tive e tenho o prazer de trabalhar, Ricardo Barros da MIIPP Marketing e Publicidade, que foi ao cerne da questão e esforçou-se e muito bem para criar uma imagem só deste blogue! Ah! E como não me posso esquecer de referir, o Ricardo também fez englobando todo o meu trabalho, os cartões de visita deste cantinho tão nosso!
Não pensem que a lista acabou por aqui. Nem pensar nisso! Vou falar-vos agora da Patrícia, que convido-vos a conhecer no próximo post. Adianto-vos já que ela vem trazer cor e uma perspetiva muito especial aos escritos que vou colocar aqui. A patrícia é minha amiga e é a ilustradora deste blogue, e posso dizer-vos que melhor ilustradora não podia haver! É de referir que as ilustrações estarão devidamente descritas para que quem não vê não deixe de desfrutar das imagens que dão cor e vida a este espaço.
Agora sim, para terminar, Deixo-vos já o alerta de que se virem por acaso que o lai out mudou alguma coisa, é porque o autor do http://avidaempixeis.blogspot.pt/ - meu irmão Leonel, fez algumas melhorias!
As novidades acabam por hoje, mas fiquem por perto, que não tarda e tudo acontece!

*

E não se esqueçam que:
Não tem de ser lindo. Só tem de ser de coração - é isso que distingue o sonho de tudo o resto.
Vida é o tempo de que dispomos para semear sonhos e colher concretizações.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

As Palavras que o Vento Não Te Leva


Em especial aos meus irmãos: Jorge, Ana, Rossana, Leonel e Artur
Fiquem certos que estas palavras o vento não vos leva!
*

Ligados – somados nas nossas vidas com aquela corrente que não se quebra.
Sem serem preciso juras, sem serem preciso avisos de chegada ou partida.
E, durante toda a vida de mãos dadas, sem que sejam preciso darem-se.
E eu, hei de esperar-te sempre com o mesmo abraço,
e no mesmo cais de embarque de onde te vi partir.
Quando chegares, não batas à porta,
nem avises que vais entrar, que as formalidades ficam noutro mundo que não é o nosso…

Gostava de dar-te sonhos, mas acabo por trocá-los por beijos, abraços,
palavras do que precisas, ou do que precisamos – tanto faz.
E tu, dás-me o que quero: tu, nunca pela metade,
nunca menos que tu…
E é isso que torna este amor, diferente de outro qualquer amor…

Largos são os dias em que não te encontro e, a saudade
traz o teu nome como tatuagens desse amor que se planta na alma e na pele.
E longas são as noites em que nos separamos porque assim tem de ser...

Acabam-se as palavras quando falamos. E os segredos, guardamo-los dos outros,
não de nós.
Podia dizer-te que te amo, mas isso era ser lamechas, e por qualquer coisa do destino,
preferi escrever-te estas linhas.

Só para dizer que o meu cais é o mesmo de onde te vejo partir,
e deixo no mesmo lugar, para que possas sempre voltar.

Como volto ao teu abraço,
só para dizer: Estou aqui…


*

terça-feira, 16 de maio de 2017

Falei hoje de ti ao meu peito

 

Falei hoje de ti ao meu peito, meu bem.

Perguntei se ainda te recordava, se ainda te sentia a falta.

Mas nada me respondeu.

 

Lembrei-o das canções que cantavas, das flores que trazias, do cheiro da tua presença,

e até da tua ausência, quando partias, sem mim.

Dizias-me que quando a saudade me inundasse, inundava-te também,

Porque éramos um, com um só coração…

 

Falei ao meu peito dos teus livros cheios de histórias que líamos juntos,

e da calma que me oferecias quando me abraçavas,

dos teus dedos que entrelaçavam os meus, naquele gesto protetor que era tão teu...

Falei-lhe do cheiro do café pela manhã, que oferecíamos com um sorriso,

O desejo de boa sorte, quando havia medo de falhar,

O silêncio que dizia tudo, quando palavras não se adequavam ao nosso sentir…

 

Mas o meu peito remeteu-se ao silêncio.

E eu continuei - falei dos dias passados junto ao mar,

das tuas mãos que brincavam no meu cabelo – inesquecíveis, como tu,

da clareza dos teus olhos quando me observavam,

da franqueza das tuas palavras quando me pedias que voasse rumo aos meus sonhos.

E eu voava, porque tu eras o colo seguro que tinha para pousar, com um punhado de sonhos que guardavas para mim…

 

Falei de ti, como se te pudesse ver nem que fosse por um segundo, como se pudesse abraçar o teu abraço a qualquer momento,

numa prece muda de que não mais me deixasses assim, sem o teu peito, único,

para que o meu peito se encostasse.

 

E depois, as palavras não me chegaram, para falar de ti, para falar de nós…

 

Calei-me numa sisudez igual ao silêncio desta casa,

Na esperança de poder adormecer, para poder sonhar com o mesmo punhado de sonhos que guardavas para mim.

 

E, foi quando ouvi o meu peito sussurrar o teu nome,

E senti que doía-lhe a tua ausência, como me doem as palavras que ficaram numa história de amor

Que nem esta solidão, nem nada no mundo pode ou consegue apagar.

 

Falei de ti ao meu peito, e, chorámos…

Não por ti, nosso bem, mas pela falta que nos fazes…

 

Talvez porque seja sempre cedo para não tardar o momento de deixar

quem se ama, partir.

 

*

 

Ilustração musical: Carlos Silva