sexta-feira, 20 de maio de 2016

Pétalas ao Vento

 

 

Escrevo-te, meu amor, umas vezes porque sim,

e outras vezes porque sinto.

Por vezes lês-me em versos, outras vezes

lês-me em linhas dispersas, como pétalas soltas ao vento,

sem rumo, sem rima,

sem rasto que possa seguir a fim de me encontrar.

 

Tu não sabes, creio que nunca te o disse, mas

ainda moras nos meus segredos, e nos meus sonhos, e nos restos de mim

que ficaram espalhados pela casa, pela cama, pelo chão que não hás de pisar,

porque o teu rumo agora é outro, bem diferente do meu,

e o meu nome não é canção na tua boca,

e o meu corpo é esquecimento dentro do teu pensamento,

tal como tu ainda és lembrança dentro dos meus poemas,

dentro do coração vazio, que um dia foi o teu lugar.

 

Se algum dia meu amor, vires pétalas no teu jardim

iguais aos poemas que te escrevo, não as jogues fora.

Não fui eu que te as mandei, mas foi o vento que te as levou.

E o vento, tu sabes, é como o amor – livre, só faz o que quer.

Espera que voem, que partam e sejam canção na boca de quem as cante,

ou sejam flor noutros jardins onde o amor já caiu e secou

noutros outonos de outras vidas como a minha,

onde a esperança vem com o nascer do sol e com

a saudade que fica de tornar reais todos os sonhos

que o coração guarda com o mesmo amor que eu te guardei.

 

Adeus meu amor – está na hora de partires.

O vento chegou e já não és pétala guardada junto ao meu peito.

Já não canto o teu nome, porque já não és poema e,

as pétalas onde agora escrevo, são de flores

Que nascem no meu jardim já amanhã, com outra canção que nunca te disse mas,

trago comigo por inventar.

 

 

domingo, 15 de maio de 2016

Sigo o Caminho das Estrelas

Sigo o caminho das estrelas
mas não sei para onde vou.
Sem mapas, sem rumo, e apenas com as mesmas estrelas nos olhos,
que só têm os que sonham, e só seguem
os que acreditam.

Sigo o caminho das estrelas,
e procuro entre elas o meu lugar.
Não sei se como estrela, se como poeta.
Afinal os meus poemas são cadentes, como cadentes são as estrelas que vejo e procuro ggguardar junto ao peito - pode ser que um dia
sejam os versos de poemas que desejo e anseio escrever.

Sigo o caminho das estrelas,,
e a medo encosto-me ao céu, como um sonhho que se encosta ao meu peito,
de ser uma estrela entre outras estrelas,
que como eu hão de ter
outros poemas por escrever.
Poemas - cadências tão minhas
Que sonho um dia serem as estrelas diante dos olhos dos que sonham como eu.

sábado, 21 de novembro de 2015

Medo


Eu tenho medo.
Eu tenho medo de falhar, de perder, de chorar,
de que me vejam chorar, de sofrer,
de que me sintam sofrer.

Eu tenho medo.
Medo de sentir dor, de sentir frio,
fome, sede, solidão,
carência de outra mão na minha mão, outro abraço no meu abraço,
outro espaço que ocupe o meu espaço,
ou do espaço que me sobra
sempre que há espaço p’ra estar só. Eu tenho medo…

Eu tenho medo.
Medo de querer demais, amar demais,
dar demais, receber demais. Medo…
Tenho tanto medo do medo que sinto,
porém sinto-o e tenho medo.
Medo de acordar amanhã e não sentir medo de nada sentir.
Dar-me conta que foi o medo que me levou o medo,
e com ele tudo aquilo que um dia, por tantos e tantos dias na minha vida fez-me sonhar.

E foram tantos os dias na minha vida que sonhei…
 Os mesmos dias em que o medo de não sonhar me levasse cada sonho,
cada tanto de amor que arrastei comigo convicto junto ao peito,
encostado ao coração, até ao último
grito de vida, até ao último suspiro de emoção.

*


“Porque há fados que embalam noites, dias, sentimentos e poemas, como este, ou como tantos outros por aí.”

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O Tempo do Amor



O amor e a dor não têm relógio,
nem de pulso nem de bolso, quer seja para chegar,
quer seja para partir.
Fazem-no como se o coração tivesse nome de porta aberta
e o peito fosse um mar sem fundo, um mundo sem chave,
ou um relógio sem tempo
p’ra tudo ter o seu tempo de poder acontecer.

                    *                  

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Inconstância


Perdi as esperanças quando o sol se pôs e,
eu, que já não olho a lua como antes...

Sinto-me só, tão só como a noite.
E já não há porto seguro para o aconchego,
porque só o sonho é o que me faz continuar, mas nem sei por onde...
Sigo sem bússola, com a alma mais perdida que o olhar pousado
sobre aquilo que não sei escrever.
Talvez porque a dor seja constância, e a inconstância dos momentos,
seja o pouco que me é tanto - tanto como o medo que tenho de ficar perdida
onde não há quem me veja, não há quem me prometa que
o sol nasce para mim também, mas só
amanhã,

se o dia nascer, nos braços de um sentimento qualquer...


                    *                  

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Asas

 

Não me cortes as asas, que eu quero ver de perto o

arco-íris.

Da minha janela, tu sabes,

tudo é menos colorido,

e eu quero ser livre. Voar até ao limite do sonho,

e poder bater asas, sem medo de me encontrar nos olhos dos outros,

e perder-me do meu coração.

 

Como uma águia livre e solta,

uma rima bonita mas sem rima,

na qual escrevo o rumo que sigo,

sempre que sigo o sonho de ser tão livre para voar.

 

Deixa que me batam as asas enquanto houver coragem.

É que a queda é sempre tão mais profunda e escura que as noites,

e eu quero tocar o limite entre o céu e o sonho - lá,

onde o sol tem o mesmo calor das emoções.

 

*