domingo, 15 de maio de 2016

Sigo o Caminho das Estrelas

Sigo o caminho das estrelas
mas não sei para onde vou.
Sem mapas, sem rumo, e apenas com as mesmas estrelas nos olhos,
que só têm os que sonham, e só seguem
os que acreditam.

Sigo o caminho das estrelas,
e procuro entre elas o meu lugar.
Não sei se como estrela, se como poeta.
Afinal os meus poemas são cadentes, como cadentes são as estrelas que vejo e procuro ggguardar junto ao peito - pode ser que um dia
sejam os versos de poemas que desejo e anseio escrever.

Sigo o caminho das estrelas,,
e a medo encosto-me ao céu, como um sonhho que se encosta ao meu peito,
de ser uma estrela entre outras estrelas,
que como eu hão de ter
outros poemas por escrever.
Poemas - cadências tão minhas
Que sonho um dia serem as estrelas diante dos olhos dos que sonham como eu.

sábado, 21 de novembro de 2015

Medo


Eu tenho medo.
Eu tenho medo de falhar, de perder, de chorar,
de que me vejam chorar, de sofrer,
de que me sintam sofrer.

Eu tenho medo.
Medo de sentir dor, de sentir frio,
fome, sede, solidão,
carência de outra mão na minha mão, outro abraço no meu abraço,
outro espaço que ocupe o meu espaço,
ou do espaço que me sobra
sempre que há espaço p’ra estar só. Eu tenho medo…

Eu tenho medo.
Medo de querer demais, amar demais,
dar demais, receber demais. Medo…
Tenho tanto medo do medo que sinto,
porém sinto-o e tenho medo.
Medo de acordar amanhã e não sentir medo de nada sentir.
Dar-me conta que foi o medo que me levou o medo,
e com ele tudo aquilo que um dia, por tantos e tantos dias na minha vida fez-me sonhar.

E foram tantos os dias na minha vida que sonhei…
 Os mesmos dias em que o medo de não sonhar me levasse cada sonho,
cada tanto de amor que arrastei comigo convicto junto ao peito,
encostado ao coração, até ao último
grito de vida, até ao último suspiro de emoção.

*


“Porque há fados que embalam noites, dias, sentimentos e poemas, como este, ou como tantos outros por aí.”

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O Tempo do Amor



O amor e a dor não têm relógio,
nem de pulso nem de bolso, quer seja para chegar,
quer seja para partir.
Fazem-no como se o coração tivesse nome de porta aberta
e o peito fosse um mar sem fundo, um mundo sem chave,
ou um relógio sem tempo
p’ra tudo ter o seu tempo de poder acontecer.

                    *                  

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Inconstância


Perdi as esperanças quando o sol se pôs e,
eu, que já não olho a lua como antes...

Sinto-me só, tão só como a noite.
E já não há porto seguro para o aconchego,
porque só o sonho é o que me faz continuar, mas nem sei por onde...
Sigo sem bússola, com a alma mais perdida que o olhar pousado
sobre aquilo que não sei escrever.
Talvez porque a dor seja constância, e a inconstância dos momentos,
seja o pouco que me é tanto - tanto como o medo que tenho de ficar perdida
onde não há quem me veja, não há quem me prometa que
o sol nasce para mim também, mas só
amanhã,

se o dia nascer, nos braços de um sentimento qualquer...


                    *                  

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Asas

 

Não me cortes as asas, que eu quero ver de perto o

arco-íris.

Da minha janela, tu sabes,

tudo é menos colorido,

e eu quero ser livre. Voar até ao limite do sonho,

e poder bater asas, sem medo de me encontrar nos olhos dos outros,

e perder-me do meu coração.

 

Como uma águia livre e solta,

uma rima bonita mas sem rima,

na qual escrevo o rumo que sigo,

sempre que sigo o sonho de ser tão livre para voar.

 

Deixa que me batam as asas enquanto houver coragem.

É que a queda é sempre tão mais profunda e escura que as noites,

e eu quero tocar o limite entre o céu e o sonho - lá,

onde o sol tem o mesmo calor das emoções.

 

*

 

 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Um Relógio Sem Tempo, de um Amor que Não Existe

 

Agarro-me ao tempo que temos, por medo que seja menos que o tempo que existe.

Este relógio, de um amor que não vivemos está parado, mas ainda espero pelos

momentos vividos a dois.

Não morro nos teus braços, mas não vivo sem um abraço vindo de ti.

Ainda te espero como o verão pelo outono e, ainda

canto o teu nome numa balada que tu não ouves nem sabes que compus para ti.

 

E depois da última palavra que me dizes, durmo todas as noites lado a lado

com a solidão. Tão só como o relógio de um amor

que não temos, e como os ciprestes que sós

sentem arrepiados a carícia que o vento ao passar lhes faz, quer seja

noite, quer seja dia, pois para o vento, não há relógio, nem tempo,

nem lugar a que prender-se…

 

E eu, guardiã de memórias, acaricio as paredes desta casa,

tão cheias de mim e de conversas que recordo, e tão cheias de palavras escritas em

poemas, histórias e baladas, que têm o teu nome,

mas tu nem sabes que te escrevi, diante ti,

ou diante o teu lugar vazio.

 

O tempo muda, e muda-nos, mas o relógio está parado.

E o amor, que não muda, é, só mais uma vez,

o motivo das minhas palavras.

Quantos sonhos ainda vou guardar em baixo da almofada, até que um dia te os possa contar,

e então tu entendas que a vida muda,

na vida tudo muda, mas o amor, não…

 

*