O amor e a dor não têm relógio, nem de pulso nem de bolso, quer seja para chegar, quer seja para partir. Fazem-no como se o coração tivesse nome de porta aberta e o peito fosse um mar sem fundo, um mundo sem chave, ou um relógio sem tempo p’ra tudo ter o seu tempo de poder acontecer.
Perdi as esperanças quando o sol se pôs e, eu, que já não olho a lua como antes...
Sinto-me só, tão só como a noite. E já não há porto seguro para o aconchego, porque só o sonho é o que me faz continuar, mas nem sei por onde... Sigo sem bússola, com a alma mais perdida que o olhar pousado sobre aquilo que não sei escrever. Talvez porque a dor seja constância, e a inconstância dos momentos, seja o pouco que me é tanto - tanto como o medo que tenho de ficar perdida onde não há quem me veja, não há quem me prometa que o sol nasce para mim também, mas só amanhã,
se o dia nascer, nos braços de um sentimento qualquer...
Arranca-se a rosa, e com ela, os espinhos. Na vida tudo, ou
quase tudo podem ser rosas e ou espinhos e, em grande parte isso só depende de
nós, Porém qualquer rosa tem espinhos. Se não tiver espinhos, não é rosa.
Porque não há rosas sem espinhos, a não ser que alguém os corte. E, às vezes,
la por sorte, até há quem nos corte os espinhos às rosas. Mas como as rosas,
quem por algum motivo nos corta os espinhos umas tantas vezes, não dura para
sempre. E, na vida, as rosas não duram para sempre e têm espinhos. Se não
tiverem espinhos, não são rosas. Podem ser se quisermos outra flor qualquer,
mas isso, só depende de nós, que, tal como quem, por simpatia ou outra coisa
qualquer nos corta os espinhos às rosas, não duramos para sempre.
Mergulhar num mar de rosas, é cair num mar de espinhos,
porque os espinhos são para a rosa, o mesmo que a defesa é para o coração – uma
armadura que ora protege, ora magoa, de uma forma tão indefinível, como
indefinível é o amor.
Deve ser isso que os conforta. É por isso que não se
afligem.
Porque para eles, estar só não é estar durante a noite com a
solidão.
Para eles estar só, é não poder estar à hora que lhes
apetece, na companhia que mais os compreende, a dividir pensamentos e
sentimentos que mais ninguém sabe desvendar e ou entender.