segunda-feira, 29 de junho de 2015

Asas

 

Não me cortes as asas, que eu quero ver de perto o

arco-íris.

Da minha janela, tu sabes,

tudo é menos colorido,

e eu quero ser livre. Voar até ao limite do sonho,

e poder bater asas, sem medo de me encontrar nos olhos dos outros,

e perder-me do meu coração.

 

Como uma águia livre e solta,

uma rima bonita mas sem rima,

na qual escrevo o rumo que sigo,

sempre que sigo o sonho de ser tão livre para voar.

 

Deixa que me batam as asas enquanto houver coragem.

É que a queda é sempre tão mais profunda e escura que as noites,

e eu quero tocar o limite entre o céu e o sonho - lá,

onde o sol tem o mesmo calor das emoções.

 

*

 

 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Um Relógio Sem Tempo, de um Amor que Não Existe

 

Agarro-me ao tempo que temos, por medo que seja menos que o tempo que existe.

Este relógio, de um amor que não vivemos está parado, mas ainda espero pelos

momentos vividos a dois.

Não morro nos teus braços, mas não vivo sem um abraço vindo de ti.

Ainda te espero como o verão pelo outono e, ainda

canto o teu nome numa balada que tu não ouves nem sabes que compus para ti.

 

E depois da última palavra que me dizes, durmo todas as noites lado a lado

com a solidão. Tão só como o relógio de um amor

que não temos, e como os ciprestes que sós

sentem arrepiados a carícia que o vento ao passar lhes faz, quer seja

noite, quer seja dia, pois para o vento, não há relógio, nem tempo,

nem lugar a que prender-se…

 

E eu, guardiã de memórias, acaricio as paredes desta casa,

tão cheias de mim e de conversas que recordo, e tão cheias de palavras escritas em

poemas, histórias e baladas, que têm o teu nome,

mas tu nem sabes que te escrevi, diante ti,

ou diante o teu lugar vazio.

 

O tempo muda, e muda-nos, mas o relógio está parado.

E o amor, que não muda, é, só mais uma vez,

o motivo das minhas palavras.

Quantos sonhos ainda vou guardar em baixo da almofada, até que um dia te os possa contar,

e então tu entendas que a vida muda,

na vida tudo muda, mas o amor, não…

 

*

 

 

domingo, 26 de abril de 2015

Rosas e Espinhos

 

Arranca-se a rosa, e com ela, os espinhos. Na vida tudo, ou quase tudo podem ser rosas e ou espinhos e, em grande parte isso só depende de nós, Porém qualquer rosa tem espinhos. Se não tiver espinhos, não é rosa. Porque não há rosas sem espinhos, a não ser que alguém os corte. E, às vezes, la por sorte, até há quem nos corte os espinhos às rosas. Mas como as rosas, quem por algum motivo nos corta os espinhos umas tantas vezes, não dura para sempre. E, na vida, as rosas não duram para sempre e têm espinhos. Se não tiverem espinhos, não são rosas. Podem ser se quisermos outra flor qualquer, mas isso, só depende de nós, que, tal como quem, por simpatia ou outra coisa qualquer nos corta os espinhos às rosas, não duramos para sempre.

Mergulhar num mar de rosas, é cair num mar de espinhos, porque os espinhos são para a rosa, o mesmo que a defesa é para o coração – uma armadura que ora protege, ora magoa, de uma forma tão indefinível, como indefinível é o amor.

 

 

*

 

sábado, 18 de abril de 2015

Durante a Noite


Durante a noite, os sós, ficam sempre mais sós.
Deve ser isso que os conforta. É por isso que não se afligem.
Porque para eles, estar só não é estar durante a noite com a solidão.
Para eles estar só, é não poder estar à hora que lhes apetece, na companhia que mais os compreende, a dividir pensamentos e sentimentos que mais ninguém sabe desvendar e ou entender.

Eles, como eu - à noite, na companhia da solidão.

*

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Fado: Amor de Mel Amor de Fel, no Restaurante Adega do David

Fica aqui, estimados leitores/as e amigos/as, mais um registo das fabulosas noites de fado no restaurante Adega do David.
Noites animadas por excelentes fadistas e amigos, e onde o som de guitarras e violas se fez ouvir, tocado sempre por excelentes guitarristas!

Fado, aleado aos deliciosos sabores, e a interação entre todos (fadistas, guitarristas, clientes, amigos e staff), foi e é a forte razão para não perder nem colocar de lado uma ida ao restaurante Adega do David.

Foi nesta casa que comecei, e nesta casa vou continuar, sempre com o maior orgulho.

Porque ser fadista é isto: ouvir, aprender, partilhar, sentir, sorrir, abraçar e, ter e fazer amigos que dão sentido aos sonhos, assim como todos eles/as deram sentido aos meus sonhos.

Comecei a dar os meus primeiros passos no fado no dia 14 de abril de 2014.

Já la vai um ano! A emoção que sinto é crescente, e o prazer que sinto é imenso ao voltar a este espaço, nas noites de fado, de xaile aos ombros, e ao som de guitarras e violas, cantar e dar sempre o melhor de mim, a quem acreditou em quem sou.

A lista é extensa. Porém, sei que sabem quem são.

Com um imenso carinho e verdadeira amizade, agradeço a todos vós o tanto que me têm apoiado, ensinado, e feito crescer enquanto fadista.

 

Fado Amor de Mel Amor de Fel