quinta-feira, 12 de março de 2015

Gosto, e pronto

 

Gosto de ti. Não sei que raio de coisa é esta, mas gosto de ti. Não acordei hoje e pensei: Gosto de ti. Não. Não foi nada disso que aconteceu. Eu nem sei que raio aconteceu. Tenho cá p'ra mim que não aconteceu mais nada para além de descobrir que gosto de ti. Ou pelo menos, admitir que gosto de ti. Gosto de ti. É tudo. Gosto de ti e não sei que diga, não sei que faça. E por isso, não digo nada. Não faço nada. Mas, gosto de ti. Não é que isto de gostar de ti seja coisa que eu goste. Ou se calhar, até gosto. Porque gosto. Gosto de gostar de ti. Gosto de gostar assim e nem saber que raio é isto de gostar de ti e, como é que me aconteceu. Não sei o que aconteceu, porém gosto de ti. É estranho gostar de ti. Nem devia de gostar de ti, eu sei. Mas gosto… Paciência. E, o que posso eu fazer? Não sei que faça. E como gosto de gostar de ti, limito-me a gostar de ti e, não faço mais nada. Gosto e pronto. Valha este gostar o que valer. Seja este gostar aquilo que for. Pronto. Gosto, e pronto. Não sei se serve de alguma coisa gostar de gostar de ti. Porque não sei se gostar de ti serve de alguma coisa. Mas ainda assim, mesmo não sabendo se serve de alguma coisa, gosto e pronto. Porque gostar talvez seja estar pronta para sentir e abraçar como quem gosta de gostar verdadeiramente de alguém, como eu que gosto de ti, e de gostar de ti, assim tão unicamente, porque és tu, só por seres tu, e pronto.

 

 

*

 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Fado Lágrima, no Restaurante Adega do David

Foi assim, no Restaurante Adega do David, no dia 7 de fevereiro de 2015, a minha interpretação do fado Lágrima, acompanhada pelos guitarristas Vítor do Carmo na guitarra portuguesa e José santana na viola de fado, a quem muito agradeço o apoio e o carinho.

 

A todos os que fazem com que estas noites sejam inesquecíveis, sem citar nomes para que ninguém seja esquecido injustamente, o meu muito obrigada, de coração.

 

É verdade que me falhou a voz, porém, não me falha a paixão com que o faço!

 

Siga o Restaurante Adega do David no Facebook e, venha ouvir o fado!

 

 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Apenas Silêncio

 

 

Queria ser silêncio. Tudo o que eu queria e precisava era ser silêncio. Não ser palavras. Não escrever palavras. Não dizer palavras. Ser, apenas, silêncio, só silêncio. É que ser palavras é ser tudo o que nunca quiseste ouvir. É ser as linhas de tudo o que nunca quiseste ler. É ser a complexidade de tudo o que nunca quiseste saber. É ser a razão de todas as coisas que estás a viver, e a sentir, a pensar, a entender. E eu, tu sabes, não suporto ser essas palavras. As que ouves, as que sentes, as que compreendes, as que não compreendes, as que pensas agora. Mesmo que eu já te as tenha dito, mostrado e ou feito sentir, eu não suporto ser essas palavras. Tantas palavras. Eu só queria ser silêncio. Apenas silêncio. Como o silêncio deste abraço que me pedes. Deste abraço que te dou. Deste reencontro que sem palavras diz tudo o que sabemos, tudo o que não sabemos mas pensamos, tudo o que sentimos, sem que seja preciso dizer. Deixa que seja silêncio. Tal como preciso de ser – silêncio. E sê tu a palavra - a única que me podes dizer. Quem sabe a única que ainda espero ouvir:
Shhhhh… Fica…

 

 

*

 

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Unicamente um Poema

 

 

Há um rio entre nós chamado tempo.
E quanto tempo havemos de nos esperar?
Já não somos pergunta, nem certeza,
nem tão pouco qualquer coisa a dizer.
Dizemo-nos de tudo.
Segredos não nos cabem, porque o segredo somos nós.

Há um mundo entre nós chamado miragem.
Ainda olhamos nem sei para onde,
nem sei porquê.
Não nos queremos, não nos largamos,
e por vezes só o que nos dói
é não saber tudo o que existe para lá do muro
que a vida nos impôs.

Não saltamos o muro e
já nem temos mãos para nos darmos.
Há muito que este copo está vazio e
que a vida resvalou para um outro outono sem sonhos,
flores e só folhas caídas,
como os restos de tudo o que nos aconteceu.

E foi assim que nos acontecemos…
Sei que não te lembras. Sei que não me lembro.
E por isso, agora é só agora.
Tal como um verso retido numa única linha,
tal como as linhas que espero um dia
ninguém as possa entender, como nem eu,
nem tu, que depois de nós,
não nos sabemos procurar.

Não é como procurarmos uma casa, ou
um lago de águas claras onde mergulhar.
Não é como ler um livro imenso, na busca
de um final tão inserto e tão fugaz.
Não é como qualquer coisa que se possa escrever.
Não é como qualquer coisa que se possa esperar.

É tão somente como tem de ser.

Único.

 

*

 

 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Hoje Ficas-me Bem

 

 

Hoje, lembrança, ficas-me bem.
Vestida de tempo, pintada de saudade,
perfumada de outras primaveras
que já senti chegarem aqui, tão perto.

Hoje, sim hoje,
ficas-me bem e
sabes-me tão bem – a sal do mar, a maçã da
época, a fruto silvestre colhido a tempo.

Tens um travo a segredo e um

silêncio de orvalho fresco,
que disfarça as lágrimas que me fogem
dos olhos, p’ra
dar lugar a sinais que ficam
do tempo que já passou.

Ficas-me bem, lembrança…
nestes poemas que escrevo com tinta de sonhos e
Com o cansaço dos passos
que dei p’ra chegar aqui, onde te encontro e
me visto de ti, p’ra
sair por aí, ao encontro de
quem, como eu,
sabe o significado de estar só, como sós
são os sonhos das noites

Perdidas, que ficam, tu sabes,
 por esquecer…

 

*