sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Poemas, sei lá eu, se por escrever

 

 

Caíram-me os poemas ao chão.

Há versos soltos, espalhados
pela alcatifa,
pelo ar, pelo fim e
pelo recomeço constante dos dias.
Não os recolho.
Não os posso saber de cor, conhecer-lhes as entrelinhas - as mesmas
que não leio, que não conheço, que
não posso sentir...

 

Caíram-me os poemas ao chão.

Rimas, já não as trago, não as tenho,
não as sei.
São livres como as asas dos meus sonhos, os
meus versos.

E os meus reversos…. Ah” sei la eu
dos meus reversos,
quanto mais saber dos dias, em que as palavras são
braços pungentes que me embalam, e as entrelinhas
dos meus poemas são pouco de quase nada que o
tempo traz e leva ao sabor de outros poemas, sei la eu
se por escrever. Quem sabe?

Ninguém. Ou quem, como eu,
viu cair-lhe ao chão poemas como os meus – pedaços de tudo o que existe,
para além dos versos, para além da razão – a minha, que corre
ao sabor do pulsar do coração – o meu,
que por ser meu
voa livre, até onde o tempo o deixar voar.

 

Caíram-me os poemas ao chão.

Eram tantos…
E os versos… Que dizer dos versos.

Tantos versos e, tantas entrelinhas que só
o tempo e as palavras sabem como declamar, agora,
que de tudo, fica tão pouco,
neste chão tão cheio de nada, como em nada
se transformam todas as coisas que em poemas
vivi.

 

*

 

 

Rascunhos do Pensamento

 

·         Toda a minha vida de escritora não passou de um tempo de possibilidade de dar forma às palavras que nunca pude dizer, talvez por medo de que perdessem a força ao verbalizá-las.

 

·         Roubarem-me as palavras que escrevo e, afastarem-me da oportunidade de o fazer é, silenciarem-me o coração.

 

·         Quem dera, toda a saudade que sinto fosse um poema... Assim sei que, tal como o poema, toda a saudade que sinto, terminaria.

 

*

 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Um Céu Azul à Minha Espera

 

Dei comigo perdida em pensamentos, lembranças e sonhos.
Tantas. Tantas coisas que tinham feito sentido.
Senti de súbito cansaço.
Um cansaço tão forte, tão grande, tão pesado que
julguei ter-me sido colocado o mundo sobre os ombros.
Mas era só, apercebi-me, o meu mundo sobre os meus ombros…

Um par de coisas que tinha feito no passado,
um alguém que havia amado,
um projeto que tinha abraçado. Sei lá.
Tantas coisas…

Mas, há um grito que me arranca de mim própria.
É como um suspiro que ficou esquecido algures no meu fundo ou,
um momento que vai do riso às lágrimas, sem que eu saiba porquê;
sem que eu entenda porquê.

Estou cansada e a vida, pesa-me aos ombros.
Ainda há um adeus que deixei por dizer,
um amo-te que morre sem que o possa contar.

Há um abraço que preciso p'ra me fazer sorrir,
uma ausência demasiada p'ra me fazer chorar.

Estou cansada e suspiro por fim, um poema.
Só mais um grito de quem coleciona estrelas
que me lembram a cada estremecimento de dor,

que há, mesmo sendo longe,
um céu azul onde tanto quero chegar, e
há, um repousar seguro, p’ra me lembrar que todo o cansaço
é um tanto de vitória, pela coragem de não me deixar desistir.

 

*

 

Rabiscos do Pensamento

 

·         É pelas frestas do esforço que vemos muitas vezes mais um pouco da razão que nos alimenta a coragem p'ra continuar.

 

·         Os sonhos são o escape da alma, face a realidade. A realidade, é o tempo de que dispomos para realizar os sonhos.

 

·         Tatuamos muitas vezes a alma com sonhos, para que a realidade não seja tão sem cor.

 

*

 

sábado, 25 de outubro de 2014

Mergulho no Escuro

 

Olho o espelho presente.

A ausência refletida nos meus olhos

Dita a sentença de todas as perdas.

De súbito, o passar dos anos parece-me tão descabido.

É que de tudo o que me trouxeram, pouco me preenche - nem mesmo tu,

que não me sobraste.

 

Vejo marcas no rosto, refletidas.

Ah, e a dor, estampada nos olhos;

e as lágrimas, atrevidas, brilhantes

aos cantos dos olhos – olhos que já

não te vêm; já não te trazem ao ~meu peito.

 

E o espelho, calado, soturno,

reflete o silêncio sisudo que deixaste.

É como um mergulho no escuro, que mergulho

friamente, à procura de não sentir a falta

de quem a lembrança presente não me

devolve, por nada.

 

Juro todos os dias que:

a próxima noite será a última

que te lembro, que te permito voltares ao meu lado.

Mas… Nem a próxima noite é a última,

Nem os dias que faço promessas

são iguais, como iguais

não são os olhos que se

refletem no espelho, inundados de uma ausência de ti

que nenhum amor no mundo consegue justificar.

 

Porque nenhum amor no mundo consegue justificar a dor

de não se poder amar quem nunca se quis perder.

 

 

*

 

 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ironia

 

 

Sabes, o mais irónico nisto tudo, é que podia ter sido tudo diferente.

Podia ter dado certo. Podia ter sido único.

Podia ter sido amor. Um amor forte.

Um amor mais leal, mais amor.

Um amor mais nosso - tão nosso como nós.

 

Mas não foi amor.

Podia ter sido mas não foi, como te escrevo, amor.

Nem sei se paixão foi. Não sei o que foi.

 

Foi apenas um sentir,

uma espera que acabou, sem mesmo que esperássemos que acontecesse,

e um "podia ter sido, mas não foi", que hoje lembro,

entre 4 paredes e um punhado de tantas coisas que te guardei

por amor - um amor que podia ter sido tão nosso,

mas, tu sabes, não foi de nenhum de nós dois.

 

 

*