segunda-feira, 19 de maio de 2014

Demora

 

 

Demora-te em mim como em mim

se demorou a saudade de ti.

Demoro-me em ti, como em ti

desejei que se demorasse tudo o que te quis dedicar.

Que se demore tudo o que pudermos ter p'ra demorar.

 

Que se demore a chegar o fim do nada que temos, diante tudo o que somos.

 

Há uma demora qualquer que nos afasta - a mesma

demora, que nos faz voltar e, não

nos deixa esquecer:

os teus dedos quentes, demorados,

no meu rosto;

E os teus lábios, exigentes, nos meus lábios;

e os nossos corpos que se demoram nos momentos

que desejamos, sem motivo, sem explicação...

 

E depois, quando toda a demora tiver fim,

que se demore o adeus - aquele adeus.

O mesmo que vi nos nossos gestos.

O mesmo adeus que me dizes por palavras, mas contrarias quando me abraças.

 

Porque no teu abraço, cabe-nos o mundo...

assim como no meu peito existe e cabe-me o teu lugar.

 

 

*

 

 

Passos de Dança

 

 

Dei na tua direção mil e uma

voltas de quem volta por um abraço.

Abraço-te e desenlaço o coração.

Giro nos teus braços e nos meus passos,

finjo ser bailarina – ilusão.

 

Dei na tua direção mil e um

passos de dança. Como sonho de criança,

à procura de amor.

Fiz pinos, piruetas e cambalhotas.

Dei passos soltos nas oras

soltas. Voei nas asas de um condor.

 

Saltei em bicos de pés. Fui

borboleta. Vestida de flor do campo: margarida

Ou violeta. Beijo dado de

um beija-flor.

 

O beijo que hoje te guardo, meu amor.

 

 

*

 

 

domingo, 20 de abril de 2014

Noite de Fados no Restaurante Adega do David

 

No passado Sábado, dia 12 de Abril de 2014, no Restaurante Adega do David, situado na Rua Fernão de Magalhães, 16 A, Albufeira, num ambiente muito agradável, simpático e acolhedor, com bons sabores, a bom preço e ótimo staff, aconteceu mais uma grande noite de fados, na qual, desta vez, estive presente como fadista convidada, a par de outros fadistas convidados que com as suas vozes e fados, também abrilhantaram a noite, de forma inesquecível.

Sara Gonçalves, foi a fadista principal e, como convidados estiveram presentes o fadista Mestre Álvaro e a fadista Helena Rodrigues.

Aos 3 fadistas, as minhas mais sinceras felicitações!

 

Eu já havia subido por muitas vezes ao palco, e como bem sabem os que acompanham o meu percurso não só aqui no blogue, mas também antes do blogue – desde há alguns anos, interpreto, outros estilos de música e temas, para além do Fado, muito embora este seja o estilo que me preenche totalmente de todas as vezes que o interpreto.

E nesta noite, repleta de risos, amizade, alegria, algumas lágrimas, reencontros e muita, muita emoção, interpretei, ao vivo e pela primeira vez acompanhada à guitarra, diversos fados, como os que podem ver no vídeo.

 

 

 

Agradecimentos:

 

Aos anfitriões desta noite: José Vicente e Manuela Cabrita, que me fizeram, a par de outros excelentes fadistas, este convite tão especial, tornando assim possível dar mais um passo neste meu sonho.

Aos guitarristas: Albino Gonçalves, na Guitarra Portuguesa e Adelino Carreira, na Viola de Fado, que sem eles a minha atuação não teria o brilho e melodia que teve.

Ao meu irmão Artur Costa Pereira, que fotografou, filmou e produziu este vídeo que documenta esta excelente noite.

Às minhas especiais amigas Paula, Isabel e Alice e, ao meu irmão Leonel, que estiveram presentes a partilhar comigo este momento, e que me deram toda a força, apoio e muitos sorrisos sinceros de alegria.

À minha mãe, que cuidadosamente planeou e apostou em toda a parte de guarda roupa e visual

E a todos os outros nomes e pessoas, que por ainda serem alguns, não citarei, quero também agradecer o apoio, os gestos, as palavras de incentivo e o carinho.

 

A todos vós, sem qualquer exceção, o meu muito obrigada!

 

*

 

 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Gaivota

 

 

Deixa que seja poema,

até ao fim da canção

e, que eu seja gaivota, quando partires, sem mim.

Deixa que me deixe, ao abandono

no teu corpo e, que o meu

corpo, seja porto de abrigo quando

voltares, se voltares, aqui.

 

Deixa que eu seja verso,

até ao fim da melodia e,

que tu sejas sonho, até acordar amanhã.

 

Deixa que seja assim: simples.

É que o meu voo é ao teu encontro e,

O meu pouso, é nos teus lábios,

quando tocarem os meus lábios

num beijo só nosso, como nosso é o céu

em que nos perdemos,

só mais uma vez…

 

Pela última vez.

 

 

*

 

Esta é a minha versão do fado “Gaivota”.

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