Calei os medos, as palavras,
as loucuras…
Tranquei as portas, as janelas,
a própria vida…
Fechei as malas, o passado,
os cadernos das lembranças.
Larguei os sonhos antigos…Sarei assim as feridas.
Não tive saída;
Ou deixava tudo para traz, ou não voltava a poder dar a partida!
Mudei o rumo, alterei o destino,
troquei de rota…
Pendurei os troféus, emoldurei os diplomas,
e tranquei na caixa a derrota.
Matei fantasmas, limpei as fotos,
pintei as paredes…
Cantei mais alto, mais certa,
mais segura.
Então, refiz-me de novo…
mais livre, mais calma e dura!
Antes, não sabia quem era… para onde ia
e o que queria.
Hoje, sei quem sou, o que quero
e para onde vou,
Sem receio dos sobressaltos de um novo dia.
É tão bom mudar e crescer…
e hoje saber
tudo aquilo que ontem não sabia!
Rasguei os velhos poemas, escrevi novos e então,
curiosamente, até os li…
Não gostava do que antes escrevia,
pois creio que nunca os entendi.
Agora recrio, reescrevo e finalmente compreendo, que
posso não ser nada do que esperam que seja,
mas sou com tudo, tão resultante quanto aquilo que invento!
Fim.