terça-feira, 12 de março de 2013

Mudança

 

Calei os medos, as palavras,

as loucuras…

Tranquei as portas, as janelas,

a própria vida…

Fechei as malas, o passado,

os cadernos das lembranças.

 

Larguei os sonhos antigos…Sarei assim as feridas.

 

Não tive saída;

Ou deixava tudo para traz, ou não voltava a poder dar a partida!

 

Mudei o rumo, alterei o destino,

troquei de rota…

Pendurei os troféus, emoldurei os diplomas,

e tranquei na caixa a derrota.

 

Matei fantasmas, limpei as fotos,

pintei as paredes…

Cantei mais alto, mais certa,

mais segura.

 

Então, refiz-me de novo…

mais livre, mais calma e dura!

 

Antes, não sabia quem era… para onde ia

e o que queria.

Hoje, sei quem sou, o que quero

e para onde vou,

Sem receio dos sobressaltos de um novo dia.

 

É tão bom mudar e crescer…

e hoje saber

tudo aquilo  que ontem não sabia!

 

Rasguei os velhos poemas, escrevi novos e então,

curiosamente, até os li…

Não gostava do que antes escrevia,

pois creio que nunca os entendi.

Agora recrio, reescrevo e finalmente compreendo, que

posso não ser nada do que esperam que seja,

mas sou com tudo, tão resultante quanto aquilo que invento!

 

                               Fim.                     

 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Monologando...

 

Eu quis ser forte, mas não se é forte apenas porque sim.

 

Eu quis chorar, mas engoli corajosamente cada lágrima.

 

Eu quis gritar por ti, mas senti como um nó o grito cravado na minha garganta.

 

Eu quis chamar-te, mas da minha boca, apenas saiu um sussurro inaudível.

 

Eu quis correr, mas faltaram-me as forças, e então deixei-me ficar aqui, parada.

 

Eu quis lutar, mas só me restou ficar no chão com a poeira.

 

Eu quis sorrir, mas a dor de te não ter, não deixou.

 

Eu quis querer, mas viver, não basta para isso.

 

Eu quis amar-te, mas amar-te era perder-nos, e então por te amar, simplesmente, desisti.

 

*

 

Coração...

 

Quantos corações diferentes… maravilhosos, temerosos, solitários, ou repletos de outras vidas; esquecidos ou inesquecíveis, discretos ou chamativos, preciosos, desprezíveis ou desprezados justa ou injustamente… apaixonados ou sem paixão, muito amados ou sem amor, muito queridos ou sem alguém que os queira, muito cheios de tudo ou completamente vazios, mesmo sem nada… muito duros, ou donos de uma moleza sem fim, muito compreensivos, mas sem serem compreendidos, muito abertos e espontâneos ou fechados e tristes… muito dependentes ou tão independentes, que mal os achamos entre tantas vidas, muito livres ou completamente presos, andam por esse mundo?
A forma de cada um viver, é e será sempre uma estranha forma de vida.
E muito embora às vezes não pareça, dentro de cada vida há sempre um coração.

 

*

 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Chegaste

 

E tu chegaste de mansinho…

suave, solto, liberto.

Trazias contigo a infantilidade de quem sonha,

mas não muito, porque tem medo.

Nas mãos trazias também o sol, a saudade, e a destreza

que a vida exigia que tivesses

para sempre.

 

Pediste-me um minuto, e eu

dei-te uma vida inteira.

Parecia tão pouco, já que me prometeste ficar… e ficaste,

do teu jeito, à tua maneira.

 

Deste-me palavras, umas açucaradas,

outras nem tanto… mas,

a vida é mesmo assim.

E foi isso que me disseste, quando solene me tomaste nos braços

pela primeira vez, até hoje.

E eu lá permaneci, simplesmente

amando-te.

 

                               Fim.