sábado, 26 de janeiro de 2013

Mar

 

Eu quero um mar, amor…

um mar maior, um mar mais fundo.

Umar de sonho, um mar feliz…

um mar de vida, daqueles que tu sabes.

 

Aquele mar, amor!

De águas claras tal como o dia…

com maravilhas e mais magia.

Um mar de força, de encantamento…

um mar de marés de sonhos

como só eu, amor

tão solenemente, tu sabes, as  via!

 

Quero esse mar, amor…

Que nos leva e que nos traz,

nos braços da vida, da saudade, da pás.

 

Esse mar de marinheiros e encantamentos,

de barcos de piratas, de histórias e ventos…

esse mar de corais e ilhas que nos confortam a alma,

esse mar doce e salgado que nos transmite a calma,

na espuma que nos mostra reflexos de alegria,

no espelho das águas, que tanto nos conforta e inebria.

 

É o meu mar, para te amar, amor.

É o teu mar, para me amares, se assim for.

É o nosso mar, se amor houver,

é um mar de amor, se o amor acontecer.

 

                               Fim.                     

 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

No Nosso Quase

 

E no teu quase de quase sempre,

quase que vives, quase que podes,

quase que vês…

quase que tocas, quase que sentes,

quase que lês…

o meu quase no teu sempre,

os meus contrastes, nos teus repentes,

a minha mão, nos teus momentos,

os meus sentidos na tua exatidão.

Então quase que sim,

ou talvez, quase que não!

 

No teu quase de todos os dias,

revejo o meu sempre de quase todas as horas.

Às vezes penso que te vejo aqui.

Parece quase que nem demoras!

 

Se quase que tu e eu somos

um quase sempre de ocasião…

quase que esquecemos a realidade,

e damos lugar ao coração.

 

E se quase que temos o que não temos,

de quando em vez vamo-nos amando.

Assim quase que somos o que sonhamos;

nem que seja quase só de vez em quando!

 

*

 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Teatro

 

Caiu o pano,

baixou-se a cortina e apagaram-se as luzes.

Vamos embora, só fica quem quiser…

amanhã é outro dia, e só volta quem puder;

quem se dispuser a ver mais uma peça de teatro,

uma história de vida,

um drama daqueles de elevar o coração - talvez voltem amanhã…

Talvez sim… talvez não!

 

Abandonaram-se os lugares;

quais humanos entregues ao naufrágio dos dias…

mas tu não vias as coisas desta forma, não é?

Suponho que não, tu as não vias!

 

Os lugares confortavam corpos cansados…

e as almas dos que se foram,

quem é que as confortou?

É que aqui só ficou a lembrança da peça de teatro…

Nada mais cá ficou!

 

Eu vou também.

Amanhã, dizem os que sabem, que é outro dia.

Amanhã há tempo pra outro ato…

outra peça, outro teatro;

outro tempo, que não havia!

 

*

 

Hoje, Um Dia Assim...

 

Hoje,

Preciso de falar o que calei.

Porquê?

Boa pergunta…

Não sei.

É que hoje,

O caminho aparenta ser sinuoso e difícil.

É como que se ao tentar chegar ao final,

Entendesse que há um não sei quê de aparentemente impossível.

 

Hoje,

As palavras com que brinco, olham-me de soslaio

Numa reprovação muda e desalento.

Eu não lhes faço frente, é certo.

Mas que desalento, este que às vezes sinto!

 

Hoje,

Sinto que ficaram tantas coisas por dizer…

Tantos abraços por dar, tantos sonhos por cumprir,

Tantos desejos por realizar,

Tantos restos de nada por preencher

Tanto daquilo que fica por ficar,

Sem que alguém queira sequer entender!

 

Hoje,

Olho o velho relógio parado,

O espelho antigo e a vida, lá fora à solta.

Mas isso a quem importa?

Hoje poucos reconhecem quem sou…

Outros julgam, estar minha alma morta!

Hoje eu sei, o que acham os outros de mim…

Mas se julgam que tal me importa…

Saibam então o quanto…

Porque a prova, têm-na aqui!

 

Hoje,

Não é fácil olhar para traz e sorrir de alegria.

A vontade de chorar e gritar ainda cá mora,

Faz-me aquela infalível companhia.

Hoje, ainda vejo o quanto o ontem ainda existe…

Não é amargo nem doce… Não é o agora, mas resiste

Nas lembranças e sonhos aos quais já ninguém liga ou proclama…

Só ligo eu,

 Mas também, verdade seja dita,

 Sou sempre a mesma!

Hoje, depois de tudo, fiquei aqui nesta mesa a escrever este poema,

E não é que o escrevi?

Agora dou-o por terminado…

Porque depois do poema acabar…

O dia de hoje, também, como tudo, chega ao fim!

 

 

                               Fim.                     

 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Praia

 

Trazido pelo vento até mim, vinha o cheiro do mar e o som melodioso das ondas.

A areia era um dourado que se estendia por quilómetros

e os nossos nomes estavam escritos nesse espaço tão dourado pelo brilho do sol quente, que aquecia a alma e tocava a pele com uma graciosidade estrema.

Eram apenas aquelas duas palavras… dois nomes que viviam num coração que nos pertencia, num mundo feito especialmente por nós e para nós, duas metades que formavam uma vida, dois mundos num só mundo, dois seres que viviam e sonhavam… e seguiam juntos no mesmo caminho, com o sentido de não seguirem caminhos diferentes, porque o amor não se separa, como o fazem os grãos da areia da praia que partilhámos.

 

 … E haviam as ondas na praia; as ondas fortes e espantosas que iam e vinham com uma espontaneidade fulgurante e uma energia tão própria delas mesmas.

Os nomes ficaram escritos por nós, naquele espaço dourado pelo sol e beijado pelo mar, até que os nossos caminhos se separaram, e uma onda chegou de mansinho, e como que num sopro de vento ou realidade, limpou a nossa história.

Hoje ainda existe a lembrança do que fomos na praia da vida, mas a história, foi levada para o fundo do oceano. O teu caminho não é mais o mesmo que o meu, as nossas mãos já não se dão como se deram no dia em que escrevemos os nossos nomes lado a lado, num sonho partilhado, e nós, já não pertencemos ao mesmo mundo, e nem o nosso coração de antes tem os nossos nomes gravados, porque o tempo, como em tudo, passou.

 

A praia ainda lá está, e para sempre vai ficar. A vida vai prosseguir por muito e muito tempo… e a nossa história será apenas mais uma, que não será revivida nem contada, porque só nós a sabíamos, e ninguém a revive, porque ninguém é como nós.

 

*