terça-feira, 17 de julho de 2012

Ontem, Hoje, Amanhã

Ontem eras tu….

Eram os teus sonhos, os teus medos, os teus temores.

Continuavas a ser tu…

Os teus paços, os teus sentimentos, os teus espaços.

Não deixaste de ser tu…

Com os teus gestos, os teus sorrisos, os teus momentos.

(…)

 

Hoje sou eu…

Com as minhas saudades, as minhas perguntas, as minhas ausências.

E continuo a ser eu…

Com a minha insegurança, a minha loucura, a minha esperança.

E não deixo de ser eu…

Com o meu amor, a minha fraqueza, a minha força.

(…)

 

E amanhã, o que será?

Será a lembrança, o que já foi, e o que não se tem?

Seremos nós,

Eu, tu, nós juntos, ou ninguém?

O que será amanhã, não se sabe bem.

(…)

 

                               Fim.

 

 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ela, Ele e um Talvez

 

Ela caminha em passo rápido e decidido ao longo da rua movimentada por transeuntes e automóveis apressados; no entanto, mesmo havendo tantas pessoas e carros na rua, ela nem repara e vai direito a casa, absorvida nos seus pensamentos complexos - dentro da sua bolha particular.

Aproxima-se da porta, introduz a chave na fechadura, e sorri consigo mesma. Chegou a casa e agora só queria vê-lo e senti-lo ali - ele não está, e talvez nunca chegue a estar; mas porque não sonhar com isso mesmo? Porque não sonhar que ele lhe dá as boas vindas a casa logo que ela chega, beija-a suavemente e segura-a nos braços enquanto lhe passa a mão nos cabelos? Pergunta-se a si própria: Porque não?

Enquanto pousa as coisas nos devidos lugares e se dirige para o quarto, que é o seu porto de abrigo, onde se refugia a imaginá-lo lá, tão seguro ao seu lado, a percorrerem um caminho juntos que ela desejava que lhes pertencesse, mas que até então não pertence, a sua voz profunda e ao mesmo tempo forte e doce, que a deixa tonta, apaixonada e incoerente sempre que o ouve falar, o seu perfume, que ela conhece a marca e o cheiro, o que fariam juntos… as suas conversas, os seus abraços e beijos, os seus silêncios tão cheios de sinais que só eles entenderiam; os problemas que teriam, mas que certamente se predispunham a ultrapassarem juntos… e tanto mais que ela gostaria que ele também quisesse, mas que ele pelos seus motivos, medos e até quem sabe alguma insegurança, não quer.

 

Um ano passou, e ela ama-o com a mesma intensidade; ama-o tanto, que por muito que algum dia queira descrever o que sente a ele ou a outras pessoas, não o conseguirá fazer devidamente, porque ela sabe que não há palavras que cheguem para isso. Há quem saiba desse sentimento que ela nutre por ele - uns, não entendem, outros, ignoram e fingem que ela é fria e tudo lhe passa ao lado, inclusive o amor.

Ela não se importa com as opiniões dos outros acerca de si. Ela sabe que o que sente por ele é verdadeiro, e isso basta-lhe.

Ela também sabe e reconhece que ele sabe do que ela sente, mas prefere ignorar, ou apenas fingir que nada é assim. Profere-lhe sempre que ela toca no assunto de o amar de uma forma desmedida e com todo o seu ser, as mesmas palavras: -- O nosso tempo já passou. O que tinha de ser, se nunca foi, já não vai ser, muito simplesmente, porque não dá… o melhor é esqueceres; eu gosto de ti, mas… somos apenas amigos…

Ela sabe que ele diz aquilo, e que ele sente aquilo que diz. Mas talvez ele também a ame. Não com a mesma intensidade, mas ele gosta dela. É um gostar sincero e verdadeiro, muito embora seja muito menos intenso do que aquilo que ela sente por ele. Enquanto se senta na beira da cama, vai pensando nele, e naquilo tudo que ela lhe gostaria de dar e dizer… que atitude tomar, para poder fazer com que ele entenda que ela quer lutar por ele, mas tem algum medo de que essa luta seja o términos do pouquinho que ainda os liga. Pensa também no que será que ele anda a fazer, se está feliz, se se sente realizado na sua vida pessoal e profissional agora, se ele alguma vez no seu dia pensa nela por um momento que seja como ela pensa nele. Será que ele precisa de alguma coisa? Será que ele está triste ou a sorrir com aquele sorriso que ela adora e que a faz sorrir também? Será que ele está em casa ou foi sair com amigos?

Será que todas as suas faltas de tempo para ela, são as mesmas faltas de tempo para outras pessoas?

(...)

 

Um longo ano passou desde que se conheceram. A distância que os separa, impediu e ainda hoje impede a história deles de se tornar algo possível e real. Para ela, ele não é a razão da sua vida, porque ele é todo o seu viver.

Para ele, ela é uma amiga de quem ele gosta muito, e que ele apoia incessantemente, ajuda de forma dedicada sempre que pode e sempre que preciso for.

Para ela, ele é e será sempre o grande amor da sua vida.

Para ele, ela é alguém que como ele disse um dia, sabe que pode confiar, e que a ela, ele pode contar tudo, mesmo achando que ela é uma tola, que não sabe bem o que é amar, e está a confundir tudo o que sente - não a censura por isso, mas por precaução, mantém-se um pouco a defesa, e conserva uma certa distância. Ele não a quer magoar. A última coisa que ele quer é que ela sofra e ela sabe disso. Mas ela sofre com tudo o que os separa, e com o afastamento que surgiu algum tempo depois de a vida os ter colocado no caminho um do outro.

No entanto, o que os separa, não faz com que o sentimento dela por ele se acabe, e ela possa assim colocá-lo num patamar de amizade igual ao que ele a coloca.

Quem sabe um dia, ela o possa abraçar e fazer com que ele acredite que ela sente cada palavra que lhe diz. Talvez quem sabe nesse dia, ele também possa entender que se ela errou, não foi com qualquer intenção de o magoar. Ela vai sempre esperar que um dia ele se dê conta de que a ausência dele a faz chorar e a faz sentir-se incompleta, porque ela sente saudade, e tem medo de o perder a ele e tudo o que ainda lhes resta, definitivamente

(...)

 

Ela deita-se em sima da cama, abraça a almofada e adormece a pensar nele. Antes de cair no inconsciente e mergulhar no mar dos sonhos, chama baixinho o nome que tanto lhe significa. Ela já sabe que quando acordar, vai olhar e tocar as fotos dele, guardadas cuidadosamente dentro do diário onde ela lhe escreve as cartas que espera que ele um dia leia, e onde estão também as coisas que partilharam naquele tempo que ele lhe diz que passou, mas que ela tem a esperança que volte, mostrando-lhes que pode haver um amanhã para eles.

(...)

 

               *Ela e ele, um dia talvez possam ser um só…*

 

*

 

sábado, 9 de junho de 2012

Simplificando-nos

 

Esqueceste-me…

mas eu não te esqueci.

Tu perdeste-me…

mas eu não te perdi.

Ocultaste-me…

e eu marquei-te em mim.

 

Ignoraste-me…

mas eu fiquei junto a ti.

Calaste-te…

e eu falei por ti.

Odiaste-me…

e eu perdoei-te mesmo assim.

 

Soltaste-me…

mas abracei-me a ti.

Soltaste-te…

e eu entendi.

Apagaste-te…

e eu reinventei-te e escrevi-te assim.

 

Perdoaste-me…

e eu o erro admiti.

Voaste…

e eu espero por ti.

Mudaste…

só que antes de ti, eu percebi.

 

Sofreste…

e eu por ti sofri.

Sofremos

os dois assim.

 

Falamos…

mas acabou para ti.

Para ti passou;

não passou para mim.

 

Deixaste-me…

e eu fiquei a esperar-te aqui.

 

*

 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Quem sou eu?

eu sou os inegáveis e incontáveis medos que sinto,
sou os sonhos que tenho...
sou o tempo que pressinto...
sou a arte e o engenho.

sou o caderno antigo e esquecido, onde escrevo...
com caneta de tinta preta e sentimento.
sou o relógio que compassadamente dá horas,
fixo e esquecido na parede,...
sou a chuva e o tormento,
e sou o tudo e o nada que tenho.
eu sou o carma que carrego...
e o sonho guardado a a muito tempo...
sou o grito de quem grita,
sou o medo que desdenho.

eu sou o segredo bem guardado...
sou o livro que ninguém lê...
sou o poema bem escrito,
sou o verso que não se vê.
sou horizonte sem paisagem...
barco a deriva em alto mar.
eu sou a vontade de partir...
misturada ao desejo de ficar.

eu sou aquilo que não és.
pois somos diferentes, e isso eu sei.
eu faço daquilo que eu sou...
a regra e a excepção do que quero...
e não uma lei.

eu sou os livros nas prateleiras,
os dialectos da ilusão...
eu sou aguarela fantasiada de maresia...
sou batimento rebelde e alado, do coração

eu sou o que esperas que eu seja...
mesmo antes de ser o que eu desejo.
sou apenas quem tu conheces...
no olhar de antigamente, que revejo.

eu sou a verdade que reconheço e escrevo...
nas somas de letras e palavras doces.
eu sou aquela que fica e sente a saudade de quem vai.
e quem dera que tu nunca fosses!

eu sou o lado mais claro da vida que me faz ser quem sou.
sou o lado mais negro e mais escuro... que traça o caminho por onde vou.
sou o passo e o espaço,
sou o calor, o terno abraço.
sou o planeta ou cometa da galáxia em colisão.
sou o sim, o talvez, sou o grito quando digo não!
sou a volta da revolta!
o regresso do que não esqueço.
sou a noite, ou o dia mais claro.
sou o que dou, o que peço e ofereço.

eu sou aquilo que quero.
quando escrevo, quando falo, ou quando canto.
sou aquilo que penso, digo, ou recito...
tenha, ou não tenha;
qualquer valor, magia ou encanto.

eu sou a música que me inspira estes poemas...
eu sou a sorte, o azar e a companhia...
eu sou os versos que solto, na minha filosofia...
eu sou o que quero, e que antes também já queria.
sou uma pauta, uma oitava, uma clave...
sou um verso, uma quadra, ou uma estrofe...
sou um ser completo, ou apenas a metade...
sou o princípio do fim...
sou o azar profundo, ou a sorte.

eu sou as cartas que escrevo...
os livros que leio, refundida na solidão.
eu sou o amanhã que por não saber, receio...
sou o conforto da minha circunspecta indecisão.
sou as caras que vejo a vaguear por aí...
e a exaustiva procura, de um mundo mais meu.
eu sou a pequena criança, que ainda abraça o sonho...
sou os olhos atentos, que perscrutam o azul vasto do céu.


Fim.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Tempo...

 

Tempo;

é o que preciso, e mais falta tenho.

É o que quero, e o que não existe.

 

É por tempo que grito,

mas que não recebo.

E é tempo que perco, enquanto me decido.

 

E neste vasto tempo, conto o tempo que não passa,

sempre que a dor de mim toma conta,

e mais uma ferida me trespassa.

 

Mas se a caso preciso de mais tempo;

é coisa que não me calha,

é tempo que escasseia.

Será a sorte que me falha?

 

Só preciso de tempo

para fazer a escolha que nunca fiz -

para poder fugir ou ficar,

para cair ou chorar,

para lutar e ser feliz.

 

Mas por mim o tempo, passa e corre depressa demais;

como o vento de tempestade,

como as chuvas geladas de temporais.

 

Eu só queria tempo!

Tempo para ser menina, para ser mulher,

para poder desistir ou fazer acontecer.

 

Preciso de tempo para me decidir:

Entre querer o amor, ou do amor poder fugir.

Mas não tenho esse tempo - Palavra composta por 5 letras;

escrita em tantas e tantas frases,

e espelhada em vastos poemas.

Nas obras com tanto tempo,

de intemporais poetas.

 

E é dessa palavra que eu tanto preciso - O tempo que falta…

o tempo pedido.

Eu só quero tempo; esse tempo que não vem…

o tempo que não me diz quem sou, e não faz de mim alguém.

 

É por esse tempo que anseio;

e se não chega, eu tenho medo.

 

Esse tempo que é o remédio, que me faz voltar a lutar;

salva-me do desespero de não ter mais tempo..

para poder amar, querer e sonhar.

 

Se o tempo que eu tenho, é a cura para todos os problemas;

porque passo eu tanto tempo

por entre teias dos meus dilemas?

 

 

Já tive o tempo, em que ter tempo era pior do que tudo;

era ter tempo para gastar, tempo para não pensar,

tempo para correr o mundo.

 

Mas agora quero e preciso de tempo,

para falar tanto que tenho calado…

tempo para concertar,

aquilo em que errei - corrigir um passo mal dado.

Só que agora, que desse tempo preciso - esse tempo não vem -  

não me é tempo concedido.

 

Ah, se eu um dia tiver tempo,

para poder o tempo aproveitar;

eu vou dizer o que nunca disse…

vou amar como se não houvesse amanhã -

como se o tempo pudesse parar.

 

Sim! Eu vou ter tempo de existir!

 

*

 

 

Reflecção:

 

O tempo agiganta-se para todos os que apenas podem  existir, e apequena-se para os que tem a plenitude de poderem ser.

 

Este é o resultado de ter demasiado tempo para perder...

e faltar-me muito tempo para poder ganhar.

Agradeço a quem perdeu tempo, a ler algo de quem tem falta de tempo para ser feliz, e tem demasiado tempo para não ter mais do que o suficiente, para ser pequeno ponto no vasto universo.