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sábado, 25 de outubro de 2014

Mergulho no Escuro

 

Olho o espelho presente.

A ausência refletida nos meus olhos

Dita a sentença de todas as perdas.

De súbito, o passar dos anos parece-me tão descabido.

É que de tudo o que me trouxeram, pouco me preenche - nem mesmo tu,

que não me sobraste.

 

Vejo marcas no rosto, refletidas.

Ah, e a dor, estampada nos olhos;

e as lágrimas, atrevidas, brilhantes

aos cantos dos olhos – olhos que já

não te vêm; já não te trazem ao ~meu peito.

 

E o espelho, calado, soturno,

reflete o silêncio sisudo que deixaste.

É como um mergulho no escuro, que mergulho

friamente, à procura de não sentir a falta

de quem a lembrança presente não me

devolve, por nada.

 

Juro todos os dias que:

a próxima noite será a última

que te lembro, que te permito voltares ao meu lado.

Mas… Nem a próxima noite é a última,

Nem os dias que faço promessas

são iguais, como iguais

não são os olhos que se

refletem no espelho, inundados de uma ausência de ti

que nenhum amor no mundo consegue justificar.

 

Porque nenhum amor no mundo consegue justificar a dor

de não se poder amar quem nunca se quis perder.

 

 

*

 

 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ironia

 

 

Sabes, o mais irónico nisto tudo, é que podia ter sido tudo diferente.

Podia ter dado certo. Podia ter sido único.

Podia ter sido amor. Um amor forte.

Um amor mais leal, mais amor.

Um amor mais nosso - tão nosso como nós.

 

Mas não foi amor.

Podia ter sido mas não foi, como te escrevo, amor.

Nem sei se paixão foi. Não sei o que foi.

 

Foi apenas um sentir,

uma espera que acabou, sem mesmo que esperássemos que acontecesse,

e um "podia ter sido, mas não foi", que hoje lembro,

entre 4 paredes e um punhado de tantas coisas que te guardei

por amor - um amor que podia ter sido tão nosso,

mas, tu sabes, não foi de nenhum de nós dois.

 

 

*

 

 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eu Hei de

 

 

Eu hei de falhar contigo muitas vezes. Mas hei de acertar contigo, ainda mais vezes.

Eu hei de odiar-te muitas vezes. Mas hei de amar-te mais vezes que as que te odeio.

Eu hei de esquecer-te muitas vezes. Mas

hei de lembrar-te muito mais vezes que as que te esqueço.

Eu hei de dizer-te muitas vezes que parto. Mas

mais serão as vezes que fico contigo.

 

E sei por isso, que te pertenço de todas as vezes que te quero.

E sei por isso, que amor é isto.

É que se o amor não é isto, eu não sei então o que é amor.

E se isto não é amor, então eu desconheço o que é amar.

 

 

*

 

 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Um Poema de Areia Para um Amor que o Mar Levou

 

 

Sabes,

já perdi a conta aos dias que me sentei aqui,

junto ao mar, na esperança de encontrar

a forma correta para que outra vida tome o lugar

disto a que chamámos de amor.

Mas, não sou tão boa nisto, como podes perceber.

Os versos e consequentes poemas são

mais que muitos e este, pode

ser só mais um que vou

enviar-te com a partida da próxima onda que

sai desta praia, já a seguir.

 

Sei que não lerás nada do que te escrevo,

mas, o vento sabe de todas as promessas

que te não fiz, e dos segredos que te não guardei e, isso é tudo…

É por isso que mais poema, menos poema,

que diferença faz?

Morrem todos no fundo do mar, sem norte, como

nós, que em terra,

ainda esperamos encontrar a praia prometida,

sabendo de antemão, que o tempo escasseia, como o amor e,

como a areia que se vai com o vento, apagando

assim as marcas do que sentimos, noutros dias de um outro então.

 

Já só cabe numa concha tudo aquilo

que partilhámos. E eu não

a levo comigo quando virar costas ao passado.

Vou deixá-la junto ao rebentar das ondas,

onde a espuma me condensa as lembranças, para as apagar logo depois, numa

tentativa de adeus, tão semelhante

ao adeus que nos dissemos, tão logo o sol se pôs.

 

Espera-me mais uma noite azul, escura,

como o escuro das sombras deste lugar.

Hei de procurar outra praia, mesmo que não

me seja prometida e, escrever outros

poemas que servirão p’ra contar outras coisas que

espero ter tempo de ver acontecer.

 

Hei de ter tantas mais noites como estas,

em que a solidão me faz companhia sem que me

exija algo em troca e as estrelas,

marquem presença pra me lembrar que:

outros tempos não são agora e,

este é só mais um poema de areia, para

um amor que o mar levou.

 

 

*

 

 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Ninguém

 

 

Ninguém, de todas as que sinto,

mata ou, pode matar, as saudades que

de ti guardo.

 

Muitas, imensas,

fortes.

Saudades. Quantas…

Quantas

julgas que te tenho,

se te não tenho, para que

te as conte?

 

E ninguém. Ninguém

sabe do que sinto, se porque

não sabem, não minto, mas

sinto aquilo que não sabe ninguém.

Nem mesmo tu, por quem

trago em mim em segredo

o que sinto e, assim, dessas saudades,

só eu é que sei.

 

Sei. Sei que não sabes

mas julgas

Que sabes, das saudades minhas,

tão tuas como o meu ser.

 

Mas, se ser fosse saudade,

não morria…

 

Nem por ti, nem por ninguém.

 

 

*