quinta-feira, 28 de maio de 2020

Diz-me



Diz-me que estás quase,

que chegas não tarda, com uma brisa de vento, e o calor que te mora no peito.

Trazes-me de presente o que mais quero - o teu abraço, e o teu sorriso,

e a tua frase mais importante - estou aqui.

Diz-me que não vais falhar

e que as cartas que chegam a caixa do correio não são desculpas tuas,

porque não podes vir, que algo te prendeu,

que a vida mudou o rumo e por isso mudaste também.


Diz-me que vamos ver o nascer do sol juntos e que isso não demora, e que

Natal sem mim não é Natal,

e a vida sem mim é apenas tão fria como a minha vida é tão fria sem ti.

Diz-me que com a pressa os presentes ficaram por comprar,

e que só tens o teu tempo para me oferecer.

Diz-me que vens e já não demoras.

Que o que importa é o teu abraço no meu a braço     e o melhor presente

é o que partilhamos de coração com coração...

 


*        

 

   

segunda-feira, 25 de maio de 2020

O tempo que não temos a perder

Abraças-te ao tempo com a mesma coragem que tens sempre que o vives. Quando o sentes, então muda a conversa, e ignoras como as coisas mudam à mesma velocidade que ele passa. Deixas para depois o que vem mesmo já a seguir, na esperança que os minutos abrandem, ponham travão e o tempo passe como se a vida fosse uma estrada, e tivesses direito a stop de cada vez que se te apresenta um cruzamento.
Mas, abres os olhos num repente e das-te conta. O tempo não parou, a vida continuou, e os anos já se passaram. Se eras tu, tu continuaste, mas há uma diferença. O amor que antes te chegava, hoje é tão parco, porque o tempo passou pelos outros também. Uns morreram, outros foram trabalhar para longe, e outros seguiram caminhos diferentes do teu, porque, simplesmente a vida é mesmo assim. Então, apagas a tv, atiras o comando para um canto da sala, Vestes uma roupa  e colocas o teu melhor olhar. e sais de casa a correr. Já perdeste o tempo que não tinhas. E agora recuperá-lo é uma coisa que não é fácil. Encontras quarenta porcento dos que à 10 anos preenchiam o teu mundo, e a única pergunta que se te cola aos lábios. Gostávamo-nos tanto, como foi que isto aconteceu?
Questionas-te e questionas quem gostas, mas recusas-te a admitir que foste tu que falhaste, e atribuis a culpa do afastamento ao tempo. Mas como ele tem costas largas, aceita, cala-se e tu ganhas do tempo mais uma oportunidade para te entregares ao que realmente vale a pena -- seres feliz, junto de quem comemora contigo as tuas vitórias, e e nas derrotas, não te deixa cair, para te ajudar a lutar para seres feliz outra vez, sempre mais uma vez... 

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Sono


Esta noite, mais uma vez, não vieste...
Deixaste-me ao sabor dos meus sonhos, dos meus pensamentos, e até dos meus medos.
Não me quiseste nem me procuraste, e eu de frio ou desamparo, estremeci.
Virei-me na cama vezes sem conta, contei as batidas do morador do meu peito, vi horas passarem como o vento lá fora, até perder-me no chirriar dos passarinhos que acordam quando chega o amanhecer.
Olhei para os lados desta cama e da minha vida, sem saber qual seria o lado certo, e lutei para fechar os olhos e, quem sabe, como por magia ou sorte vindoura, sentir-te chegares, suave, mas real - qual porto seguro para que pudesse adormecer,  nessa espera feita para recomeçar.


Porem, continuei tão só ao fim da noite como no começo, e contei mais uma vez os minutos, até perder a esperança  na tua chegada,
Talvez porque senti que já não vinhas, nem mesmo com o nascer da aurora.
Tu não voltarias como noutras noites, não me tocarias nem me embalarias.
Não me apagarias mais os pensamentos, nem me trarias outros sonhos. Tu não me combaterias nem me afastarias os medos, os meus fantasmas e os meus delírios... não farias, tal como não fizeste, nada por mim, esta noite.

E eu mais perdida soube que irei,,, passo a passo pela casa, ao encontro de um novo dia, que chegou, ainda cansado, com restos de um ontem que sei que não voltará.
Espero apenas, entre uma e outra chávena de café, que logo à noite voltes, e me leves -- para onde apenas vão os que sonham, como eu.

Porque: Durante a noite, os sós, ficam sempre mais sós.